Para toda a gente, tudo #12

Jardim da Gulbenkian, «Orgulho» e uma escrita que «é uma terra justa». Sugestões «para sobreviver a estes assados dias».

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Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa
Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian, em LisboaCréditos / Wikipedia

Tudo prà rua!

É o que se impõe. E nada melhor que o Jardim da Gulbenkian para sobreviver a estes assados dias. De 23 de Junho a 20 de Julho, repete-se o Jardim de Verão, que teve a sua primeira edição em 2016, na comemoração dos 60 anos da Fundação. Durante um mês, concertos, filmes, leituras encenadas, conversas, conferências, workshops e actividades para famílias, entre outras iniciativas, com entrada livre mediante levantamento de bilhete (máximo 2/pessoas), no centro da cidade, entre árvores e patos. Tempo de respirar.

Orgulho.

Amanhã é um bom dia para começar e tomar a baixa de Lisboa, a partir das 17h, com a Marcha do Orgulho LGBT. Cultura, porque celebração do longuíssimo caminho que já se percorreu. Cultura de luta por aquilo que ainda falta conseguir. Nas palavras do já clássico manifesto queer (que, a brincar, já tem 27 anos), tomar as ruas no meio de um «army of lovers» que não pode perder.

«Um livro era uma terra justa».



E este mês faço o pleno da Isabela Figueiredo. Depois de A Gorda, pus em dia a atrasada leitura do belíssimo Caderno de Memórias Coloniais com que Isabela se nos apresentou como escritora. A mesma carnalidade, a mesma fluidez, inteligência, calor e o maravilhoso «estou-me nas tintas». Um livro cheio de amor e clarividência no olhar o colonialismo prático e identitário. «Mas parece que isto só se passava na minha família, esses cabrões deseducados, malformados, exemplares singulares de uma espécie de branco que nunca por lá existiu, porque segundo vim a constatar, muitos anos mais tarde, os outros brancos que lá estiveram nunca praticaram o colun..., o colonis..., o colonialismo, ou lá o que era. Eram todos bonzinhos com os pretos, pagavam-lhes bem, tratavam-nos melhor, e deixaram muitas saudades.»

A escrita de Isabela Figueiredo é uma terra justa. E isso às vezes arde.

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