Filodemo, uma das raras incursões de Camões pelo teatro, é uma comédia pastoril num mundo rural idealizado. O seu cenário, nem real nem actual, é habitado por amores projectados em outros tempos, por outras convenções sociais. Para o encenador Pedro Penim, é precisamente este retrato distante que nos permite perceber o que do humano permanece igual.
É desta dicotomia que Penim propõe «uma encenação que confronta a inocência do texto com as urgências do presente». Trabalhar e reencenar os clássicos não serve apenas para celebrar os génios como Camões, mas é um«gesto de resistência» a este tempo de discursos que cristalizam o passado para transformá-lo em instrumento de exclusão, afirma o encenador. O contacto com os clássicos do teatro português permite um processo de reapropriação das suas histórias, que revive o passado sem encobrir as contradições do presente.
A peça conta com as interpretações de Vítor Silva Costa, no papel de Filodemo, Ana Coimbra, Ana Tang, Bernardo de Lacerda, Guilherme Arabolaza, João Grosso, José Neves, June João, Mariana Magalhães e Stela. Filodemo estreia-se pelo D. Maria II no Dia Mundial do Teatro. Do dia 27 de Março até 18 de Abril o espectáculo será na Sala Estúdio Valentim de Barros, nos Jardins do Bombarda. As sessões dos três primeiros dias têm entrada livre, mediante levantamento antecipado na bilheteira. Após a temporada em Lisboa, Filodemo deverá percorrer os palcos de Mafra, Gafanha da Nazaré e Matosinhos, com mais informações ainda por divulgar.
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