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Faleceu Albino Moura

O pintor, ceramista e poeta Albino Moura, figura notável da cultura e das artes almadenses, faleceu na sexta-feira, dia 19 de Abril. Permanece a sua obra, afirma nota de pesar emitida pela CDU de Almada.

Painel de azulejos na rotunda das Cavaquinhas, Seixal, da autoria de Albino Moura.
Painel de azulejos na rotunda das Cavaquinhas, Seixal, da autoria de Albino Moura. Créditos / Albino Moura/Facebook

Faleceu ontem, dia 19 de Abril, o criador e artista plástico Albino Moura. «Nascido em Lisboa em 19321, vivia e trabalhava em Almada há mais de 40 anos», lembra a nota de pesar emitida pela Coligação Democrática Unitária (CDU) de Almada, que apresenta, «à família e aos muitos amigos do Pintor Albino Moura, os mais sentidos pêsames», numa «hora tão difícil em que o Homem nos deixa fisicamente» mas permanece «a sua obra e o seu exemplo».

Trabalho do pintor Albino Moura para o cartaz da Festa da Poesia de Almada, em 2011. Créditos

A mesma nota lembra «as figuras femininas que, com traço e estilo muito próprios, Albino Moura retratou nas mais diversas formas e expressões» e, sobre essa característica do artista, recorda as palavras de uma «outra grande figura das artes e da educação almadense», a escritora Maria Rosa Colaço, que escreveu serem «inconfundíveis as figuras femininas de Albino Moura que crescem em paisagens tranquilas, onde há uma aragem branda que nos aproxima dos deuses e da paz, onde flores da terra e estrelas do céu convivem harmoniosamente».

Cartaz de Albino Moura. Créditos

Ao longo da sua vida o artista – que recebeu orientação artística de Fred Kradolfer e começou a expor a partir de 1959 – «percorreu diferentes caminhos profissionais, tendo trabalhado em publicidade, como designer gráfico e como ilustrador», antes de se dedicar mais completamente à pintura, à escultura e à cerâmica. A sensibilidade literária não lhe foi estranha, tendo integrado alguns colectivos poéticos e publicado livros de poesia a partir dos anos 90. Escreveu também sobre Fred Kradolfer, tendo a sua opinião sido considerada em trabalhos de tese sobre aquele artista.

O Pintor Autodidacta, como também foi conhecido, participou em exposições colectivas e expôs individualmente a partir dos anos 60, mas é depois da Revolução de Abril que a sua produção se concentra.

Albino Moura. Créditos

Albino Moura encontra-se representado em colecções nacionais e estrangeiras e recebeu várias distinções ao longo da sua carreira. Além da Medalha de Ouro de Mérito Cultural, atribuída pela Câmara Municipal de Almada (2006), relevada na nota de pesar recebida, foi-lhe também atribuída a Medalha de Mérito Municipal pela Câmara Municipal do Seixal (2005) e a Medalha de Prata da Costa do Estoril (1992)

Albino Moura foi cidadão participativo e interveniente. Como ele próprio escreveu, teve sempre presente «a luta e a conquista». A luta, «dos trabalhadores, mulheres, homens, jovens»; as conquistas, «pelos seus direitos». Por isso mesmo, afirmou, «dou todo o meu apoio, como sempre dei», à CDU.

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