Da essência interna à experiência sensorial

X Bienal de Pintura de Pequeno Formato em Alhos Vedros, «SEN.SI.TI.VÓS» do «A.C.A.» em Odivelas, «Fábula Rasa» de Joaquim Rosa em Beja e «Time present and time past» de Mariana Santos na Amadora.

Obra de José R. Pereira, <em>Factory towers</em>, Caneta, acrílico e aguarela sobre papel de arroz montado sobre papel, 33cm X 24cm. Exposição da X Bienal de Pintura de Pequeno Formato na Fábrica de Artes e Ofícios (FAVO), em Alhos Vedros, até 1 de agosto
Obra de José R. Pereira, Factory towers, Caneta, acrílico e aguarela sobre papel de arroz montado sobre papel, 33cm X 24cm. Exposição da X Bienal de Pintura de Pequeno Formato na Fábrica de Artes e Ofícios (FAVO), em Alhos Vedros, até 1 de agostoCréditosJosé R. Pereira

A exposição da X Bienal de Pintura de Pequeno Formato vai estar patente até 1 de agosto na Fábrica de Artes e Ofícios (FAVO)1, em Alhos Vedros. A Bienal de Pintura de Pequeno Formato - Prémio Joaquim Afonso Madeira é organizada pela Câmara Municipal da Moita, Junta de Freguesia de Alhos Vedros e CACAV - Círculo de Animação Cultural de Alhos Vedros, sendo esta associação que no ano de 2001 iniciou esta bienal, que contou nesta edição com a participação de 363 artistas a nível nacional.

Esta bienal tem como objetivo «ser um incentivo à criação artística, no domínio da pintura, através do apoio aos artistas, na valorização do seu trabalho e no encontro deste com a comunidade». Este ano o Prémio Joaquim Afonso Madeira foi atribuído pelo júri ao artista José Rodrigues Pereira pela sua obra «Factory Towers», sendo ainda entregues o Prémio Revelação a Diogo Martins pela obra «How To Read A Book», além de três menções honrosas aos artistas Cristina Fontes, João Moreira e Vítor Malva. O catálogo da exposição da X Bienal pode ser consultado aqui.

Acerca da obra premiada, o artista José Rodrigues Pereira apresentou na memória descritiva que o seu trabalho «tem-se centrado na representação de paisagens locais, nomeadamente o caos dos ambientes urbanos e industrializados», acrescentando que se interessa em particular por «representar uma iconografia de elementos e locais anónimos como fábricas, linhas de comboio e metro, postes de eletricidade e telefónicos, numa linguagem técnica que apropria a pintura chinesa». Referindo ainda que a filosofia desta linguagem caracteriza-se por «captar não só a aparência externa, mas sobretudo uma essência interna; a modelação das formas rejeita técnicas de sombra do claro escuro para se basear apenas na linha e na mancha, indeléveis e instintivas devido à natureza dos materiais, não pretendendo serem totalmente descritivas mas antes de carácter ambíguo, como uma imagem num sonho».

No âmbito desta iniciativa, no espaço FAVO em Alhos Vedros irão acontecer diversos eventos, como uma tertúlia fotográfica, uma intervenção artística e concertos de música. Referimos ainda que Joaquim Afonso Madeira, natural de Silves (Algarve), veio em 1952 para Alhos Vedros, onde desenvolveu uma intensa atividade cultural como autor, encenador, ensaísta e figurinista e também como dirigente e ativista em diversas coletividades e associações do distrito de Setúbal.

Exposição «SEN.SI.TI.VÓS» do coletivo «A.C.A. – Artistas Contemporâneos do Algarve», no Centro Cultural Malaposta em Odivelas, até 1 de agosto Créditos / ACA

«SEN.SI.TI.VÓS» é a atual exposição do coletivo «A.C.A. – Artistas Contemporâneos do Algarve», que decorre no Foyer do Centro Cultural Malaposta2 em Odivelas, até 1 de Agosto. A exposição apresenta-se com um excerto do livro O filho de mil homens de Valter Hugo Mãe: «O toque de alguém, dizia ele, é o verdadeiro lado de cá da pele. Quem nunca é tocado não se cobre nunca, anda como nu. De ossos à mostra». No texto de apresentação podemos ler que «esta exposição vem convidar a abrir os nossos sentidos e a sentir todas as emoções que estas obras nos poderão trazer, pois o ponto fulcral em volta do sensível, é o ato de sentir. Pretende-se, através dos sentidos, ligar o interior ao exterior, pois tudo o que conhecemos é por meio deles».

A.C.A. – Artistas Contemporâneos do Algarve3 é um grupo composto por 4 jovens artistas algarvios, Guilherme Gonçalves, Hélder de Sousa, Margarida Soares e Vilma Correia, que surgiu em 2018, embora tivessem a sua primeira exposição coletiva realizada no espaço da Farpa em 2017, na cidade de Faro. Criam trabalhos multidisciplinares onde combinam vários meios, técnicas, formatos e materiais expondo escultura, desenho, pintura, instalação, entre outros.

Exposição de ilustração «Fábula Rasa» de Joaquim Rosa na Biblioteca Municipal de Beja-José Saramago, até 16 de agosto Créditos / Joaquim Rosa

Na Biblioteca Municipal de Beja - José Saramago4 decorre a exposição de ilustração «Fábula Rasa» de Joaquim Rosa5 com textos de Vítor Encarnação, até 16 de agosto. Do texto de apresentação da exposição podemos reter que «mantendo as lições intemporais da fábula, é possível redefini-la e adaptá-la ao tempo atual, recomeçando com uma folha de papel em branco e partindo de uma “narrativa raspada”. Podemos assim dizer que na fábula nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. E essa transformação faz-se através da nossa circunstância, da nossa interpretação e da nossa experiência sensorial. Na fábula, nada é definitivo. Nem as ilustrações, nem as palavras, nem a história, nem a sua moral.»

A Galeria Artur Bual na Amadora6 apresenta as exposições «Time present and time past» de Mariana Santos7 e «Por uma Obra para todos…», até 15 de agosto.

Na exposição «Time present and time past» da artista Mariana Santos, no piso 0 da Galeria, encontramos obras de pintura, gravura e desenho, baseadas em «still frames» de filmes antigos e séries de televisão como The Twilight Zone, Hitchcock Presents ou The Outer Limits. O seu trabalho, segundo a artista, tem como assunto «as pessoas e como elas se relacionam com o espaço (seja físico ou psicológico)», acrescentando que é influenciada «por outras formas de arte como literatura e cinema», procurando usar «uma narrativa para sugerir o que os personagens estão fazendo, podem ter feito ou estão prestes a fazer», assim como «pensamentos ou dúvidas que possam estar experimentando». A artista baseia o seu trabalho em fotogramas de filmes e velhas fotografias descartadas «na tentativa de renovar ou reanimar as imagens antigas e comoventes que considero ainda dignas de vida».

No piso 1 da Galeria Municipal Artur Bual podemos também ver a exposição «Por uma Obra para todos…», composta por 35 serigrafias de 29 nomes de artistas plásticos de Arte Contemporânea portuguesa, como Álvaro Siza Vieira, Júlio Morais, Graça Morais, Paula Rego, Pedro Cabrita Reis, entre outras, do Acervo Municipal de Obra de Arte.


O autor escreve ao abrigodo Acordo Ortográfico de 1990 (AO90)

  • 1. FAVO. Rua Dom Afonso de Albuquerque, 2860-020 Alhos Vedros. Horário: sexta-feira e sábado, das 17h às 19h30 e das 21h às 23h; domingo, das 17h às 19h30.
  • 2. Centro Cultural Malaposta. Rua Angola, 2620-492 Olival Basto. Horário: terça-feira a sábado, das 14h30 às 18h.
  • 3. Guilherme Gonçalves, Quarteira, Algarve, 1993 - Pintura. Desenho. Académico do curso de Artes Visuais, Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve. «O cobrir dos rostos para depois raspar até à sua superfície, demonstram de forma simbólica a perseverança e o trabalho árduo não só destas figuras como do artista desde da sua fase mais precoce até à sua ascendência no percurso artístico». Hélder de Sousa, Faro, Algarve, 1989 - Gravura, Desenho e Pintura. Licenciado em Artes Visuais pela Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve (2018). «Agora … equilibra em diferentes tipos de suporte perspetivas de linhas e formas de mundos caóticos, sob a forma bidimensional e tridimensional». Margarida Soares, Olhão, Algarve, 1993 - Escultura, Pintura e Desenho. Licenciada em Artes Visuais pela Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve (2018). Aborda «questões que contrastam o sensível/emocional da consciência social, por vezes utiliza a forma corpórea da flor cujos elementos naturais associa aos elementos da imagética dos seus trabalhos, concebendo desta forma uma simbiose entre o corpo e a natureza e a natureza dentro do corpo». Vilma Correia, Faro, Algarve, 1991 – Escultura, Pintura e Desenho. Formada no Mestrado de Comunicação, Cultura e Artes–especialização no estudo da imagem (2018) e licenciada em Artes Visuais (2016), na Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve. Aborda nos seus trabalhos «temas que focam a complexidade da natureza humana, o seu comportamento social e as suas inquietações, convidando o espectador a refletir sobre elas…»
  • 4. Biblioteca Municipal de Beja. Rua Luís de Camões, 7800-508 Beja. Horário: segunda-feira, das 14h30 às 23h; terça-feira a sexta-feira, das 9h30 às 12h30 e das 14h30 às 23h; sábado, das 14h30 às 20h.
  • 5. Joaquim Rosa, natural de Castro Verde é licenciado em Design Visual pelo IADE e professor de Educação Visual no Agrupamento de Escolas de Castro Verde. Desde muito cedo que desenvolve e apresenta trabalhos de desenho e pintura em diversas exposições. A ilustração também faz parte do seu portfólio.
  • 6. Galeria Municipal Artur Bual. Rua Luís de Camões 2, Venteira, 2700-535 Amadora. Horário: terça-feira a sábado, das 10h às 13h e das 14h às 18h; domingo, das 14h30 às 18h.
  • 7. Mariana Santos tem o Curso de Cerâmica na Secundária Artística António Arroio, Lisboa e frequentou a Licenciatura em Escultura na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa e a Ar. Co. Desde 2013 o seu trabalho tem sido partilhado em exposições coletivas e individuais em Portugal, Espanha, Irlanda, Inglaterra e Estados Unidos da América, e as suas técnicas têm sido partilhadas através de aulas e workshops para todas as idades. Colaborou com o poeta Gerry Brennan num livro de poesia ilustrada, com 40 desenhos, publicado por uma editora americana de Nova York e também foi publicado em versão traduzida por uma editora portuguesa.