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Calçada portuguesa candidata a Património Imaterial Nacional

A proposta tem por objectivo preservar este «elemento identitário» e valorizar a arte de calceteiro.

Créditos / NiT

A candidatura da calçada portuguesa a Património Cultural Imaterial Nacional foi apresentada esta sexta-feira numa iniciativa na Câmara Municipal de Lisboa, com a presença de representantes da Associação Calçada Portuguesa (ACP), promotora da candidatura e transmissão online.

O secretário-geral da ACP, António Prôa, identificou as ameaças e as oportunidades com que a calçada portuguesa se depara. Por um lado, verifica-se a diminuição de mestres calceteiros, a falta de manutenção e a má construção, a forte concorrência de outro tipo de pavimentos, e o declínio das indústrias extractiva e de transformação da pedra. Prôa recordou que, em 1927, existiam na cidade de Lisboa 400 calceteiros, enquanto em 2020 esse número era de apenas 18, sendo que só estavam 11 no activo, questão que associa ao fraco reconhecimento social e remuneratório da profissão.

Por outro lado, os promotores da candidatura acreditam que existem condições para promover a calçada enquanto «elemento distintivo e identitário», assim como para valorizar a profissão de calceteiro e o seu «saber fazer singular», e para potenciar a «eficiência e a sustentabilidade ambiental».

Foi também anunciado que se pretende, a curto prazo, apresentar na Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), uma candidatura da calçada portuguesa a Património Cultural Imaterial da Humanidade.

Recorde-se que a intenção de avançar com a candidatura a Património Imaterial tem alguns anos e, em 2016, o município lisboeta aprovou por unanimidade o arranque do processo. Em Dezembro de 2017 foi aprovado, também por unanimidade e por proposta do PCP, uma recomendação ao Governo para apoiar esta candidatura a Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO, onde se pode ler que «o reconhecimento do valor da calçada portuguesa enquanto singularidade da nossa cultura não pode desligar-se da necessidade de valorização dos trabalhadores que lhe dão forma ao longo de todo o processo de produção e, particularmente, dos calceteiros».


Com agência Lusa

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