|Estado da Nação 2018

Costa diz que a dívida de 2015 (que se mantém) era «dramática»

O primeiro-ministro disse que a dívida pública era «absolutamente dramática» em 2015. Desde então, subiu cerca de 20 mil milhões de euros – o que pagaria um novo aeroporto de Lisboa quatro vezes.

O primeiro-ministro, António Costa, intervém durante o debate parlamentar sobre o Estado da Nação, na Assembleia da República, em Lisboa, 13 de Julho de 2018
CréditosAntónio Cotrim / Agência LUSA

António Costa falava no debate sobre o Estado da Nação, na Assembleia da República, após a intervenção da coordenadora do BE. O primeiro-ministro disse que «há três anos era absolutamente dramática a situação que vivia a nossa dívida pública», para argumentar que a actual legislatura mostra que é possível conciliar a recuperação de rendimentos com o cumprimento das imposições orçamentais da União Europeia.

A intervenção de Costa coincide com o dia em que a frente sindical dos professores tem agendadas concentrações em 16 cidades do País, precisamente com a exigência da recuperação do tempo de serviço em que a progressão nas carreiras estiveram congeladas e que o Governo diz não ter dinheiro para pagar.

Mas, nos últimos três anos, o problema da dívida pública, que António Costa caracteriza como sendo «dramática», não desapareceu: pelo contrário, esta subiu cerca de 20 mil milhões de euros face a 2015.

Esse valor permitiria pagar quatro vezes um novo aeroporto de Lisboa, segundo o estudo comparativo de 2008 entre as hipóteses Ota e Alcochete, realizado pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil.

Dívida continua a ser o grande garrote financeiro

Segundo as contas do Executivo, permitiria ainda pagar durante 65 anos uma actualização salarial que garantisse a manutenção do poder de compra em 2019 para os trabalhadores da Administração Pública (com um custo estimado de cerca de 300 milhões de euros).

Mesmo em percentagem do Produto Interno Bruto (PIB), a dívida pública continua em níveis próximos dos 130%, tal como em 2015. Esse ano fechou com uma dívida equivalente a 128,9% do PIB; no primeiro trimestre de 2018, foi de 126,3% do PIB.

O Governo, apesar de alguns dos seus membros terem defendido uma renegociação da dívida pública antes de assumirem funções governativas, tem afastado sucessivamente qualquer abordagem que permita uma redução significativa do volume e dos encargos anuais com a dívida: que se deve manter acima dos 7 mil milhões de euros nos próximos anos.

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