CPPC alerta para gravidade da situação na Coreia

O Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) denuncia a fragilidade da argumentação dos EUA para intensificar as manobras e ameaças contra a República Popular Democrática da Coreia (RPDC), bem como a hipocrisia subjacente às suas exigências.

https://www.abrilabril.pt/sites/default/files/styles/jumbo1200x630/public/assets/img/peninsula-da-coreia-manobras.jpg?itok=T6ztARlN
Manobras militares conjuntas de forças norte-americanas e sul-coreanas junto à Península da Coreia (Março de 2016)
Manobras militares conjuntas de forças norte-americanas e sul-coreanas junto à Península da Coreia (Março de 2016)Créditos / confidencial.com

«Só por manifesta hipocrisia podem os EUA exigir de forma unilateral o que quer que seja em matéria de desnuclearização», afirma o CPPC num comunicado hoje divulgado. E acrescenta: «O que serve verdadeiramente a causa da paz e da segurança no mundo é o necessário desmantelamento geral, simultâneo e controlado de todos os arsenais nucleares existentes no mundo.»

O pretexto da ameaça nuclear norte-coreana, invocado pelos EUA para intensificarem as suas ameaças, «não colhe», tendo em conta que, muito antes do programa nuclear coreano, os norte-americanos já haviam colocado o país asiático no «famigerado "eixo do mal" de George W. Bush» e que há muito vinham «realizando exercícios militares de grande envergadura em conjunto com a República da Coreia e o Japão, simulando ataques à RPDC», explica o CPPC.

Não faz sentido «falar do justo objectivo de desnuclearização da Península da Coreia, ou no mundo, de forma unilateral, apontando apenas a uma das partes». A mesma exigência tem de ser feita ao país «que detém dos maiores arsenais nucleares do mundo, que promove a sua modernização e instalação fora do seu território e afirma na sua doutrina militar a possibilidade da sua utilização num primeiro ataque: os Estados Unidos da América», lê-se na nota.

O desígnio da desnuclearização naquela região do globo deverá ser acompanhado de medidas que garantam, de facto, à RPDC que não será alvo de uma agressão militar por parte dos EUA. Em simultâneo, o CPPC defende que devem ser criadas condições «para que o povo coreano, sem ingerências nem pressões externas, possa unificar a sua pátria, dividida há tempo de mais por razões que lhe são totalmente alheias» – um anseio legítimo que não será concretizado enquanto persistir «a escalada militarista e as ameaças de agressão dos EUA contra a RPDC».

Situação grave

No documento, intitulado «Paz na Península da Coreia! Mais guerra não!», o CPPC chama a atenção para a gravidade da actual situação na Península da Coreia, após o «reforço da presença e da intensificação da pressão militares dos EUA contra a RPDC», assim como «para as imprevisíveis e dramáticas consequências de uma escalada belicista nesta região».

Depois «do recente ataque militar directo contra a Síria e do lançamento de uma bomba de grande potência numa zona remota do Afeganistão», as ameaças dos EUA à RPDC e «o aumento dos meios e forças militares norte-americanos» na Península coreana constituem «uma nova e muito perigosa» afronta à paz e à segurança.

É neste contexto que o CPPC reafirma a sua «exigência da paz, do fim da escalada militarista e da resolução do conflito por meios pacíficos, no quadro do respeito dos Princípios da Carta das Nações Unidas».

0 Comentários

no artigo "CPPC alerta para gravidade da situação na Coreia