|25 de Abril

Milhares nas ruas a comemorar Abril

Tal como no 25 de Abril de 1974, o povo saiu à rua para afirmar a Revolução e os seus valores. A manifestação em Lisboa mais uma vez contou com milhares de pessoas que encheram a Avenida da Liberdade de cravos.

Comemorações populares do 25 de Abril, Lisboa
Comemorações populares do 25 de Abril, LisboaCréditos / AbrilAbril

Está nas ruas a Revolução de Abril. De Norte a Sul do País, a véspera ou o dia de hoje foram preenchidos com a evocação do 25 de Abril. São reafirmados os valores da liberdade e da democracia e lembrado que «fascismo nunca mais».

A grande manifestação que desceu hoje a Avenida da Liberdade, em Lisboa, é um exemplo maior de «Abril na rua». Várias organizações, associações e movimentos lembraram, através de palavras de ordem, faixas e cartazes, a conquista da liberdade no seu amplo sentido: evoca-se o direito ao trabalho com direitos, à educação, à habitação, à saúde, às reformas e pensões, ao associativismo, à paz, à igualdade.

Comemorações populares da Revolução de Abril, Lisboa, 25 de Abril de 2017. Créditos

Os jovens, que não eram ainda nascidos no tempo da Revolução, são parte integrante das comemorações. Inês Martins tem apenas 15 anos e é estudante. Diz «que é bom estar aqui na luta» e destaca «a liberdade e a igualdades de direitos» como grandes conquistas. Aprendeu na escola e com a família o que foi o 25 de Abril e diz que a Revolução nos ensina «a não deixar de lutar pelos nossos direitos».

O esforço dos antepassados para libertar o País é evocado por Rúben Soeiro, de 17 anos, como uma das razões para continuar a comemorar este dia. Admite ainda que, mesmo não sendo ainda nascido aquando da Revolução, está aqui hoje para lutar pelos seus direitos e pelos valores que trouxe este momento histórico. Enquanto estudante lembra que o 25 de Abril também ensina «a lutar pela escola pública, gratuita e de qualidade» e a «não desistir».

Arlinda Henriques, funcionária pública e delegada sindical, tem 53 anos e emociona-se quando se lembra do processo revolucionário. Sublinha «a esperança de que tudo ia mudar», o aumento dos salários, as melhores condições de vida e o facto de as pessoas poderem comprar uma casa. Viveu tudo isto enquanto jovem, e recorda que um jovem hoje não consegue perspectivar futuro – mantêm-se em casa dos pais e estão sujeitos «a baixos salários e à precariedade».

A trabalhadora considera que os «valores de Abril» são para cumprir e que se impõe lutar por melhores condições, «pela reposição dos direitos da função pública» e por uma «vida digna para todos», lembrando que desde os 12 anos o pai a trazia às manifestações.

Comemorações populares do 25 de Abril, Lisboa Créditos

É também com a emoção na voz e no rosto que José Américo, de 71 anos, conta como viveu o período revolucionário. Diz mesmo ser-lhe difícil lembrar tudo o que sentiu quando a Revolução o apanhou fora de Lisboa, onde era trabalhador portuário. Sem conseguir regressar até ao dia estar avançado – «estava tudo bloqueado» –, foi pela rádio que acompanhou os acontecimentos desse dia histórico.

Dos meses que se seguiram ao 25 de Abril, diz que foi com a nacionalização da banca que percebeu o alcance do processo revolucionário, mas recorda também «a Reforma Agrária, as assembleias na rua e os movimentos plenos de participação».

No seu local de trabalho, José Américo lembra a participação dos seus colegas nas assembleias e no movimento sindical a partir do 25 de Abril e que se criou «o que nunca houve», dando exemplos: a garantia salarial e o «centro coordenador de trabalho», através do qual a distribuição do trabalho passou a ser «mais justa».

À distância de 43 anos, diz-se «triste com muitas coisas que aconteceram depois» e refere a adesão de Portugal à União Europeia (então CEE) e ao euro como «condicionantes». Mas é com felicidade que afirma: «É necessário continuar a luta para recuperar os direitos que se perderam e para conquistar novos.»

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