A nova orgânica das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR), aprovada pelo Governo PSD/CDS-PP em Novembro de 2025, torna «ainda mais evidente que a sua criação nunca visou uma abordagem de regionalização, descentralização e participação democrática na definição, aplicação e escrutínio de políticas com impacto regional», acusa uma nota do Direcção Regional do Alentejo do PCP.
Estas estruturas, criadas com o objectivo de promover o desenvolvimento regional e a coesão territorial, afirmam-se cada vez mais como uma «correia de transmissão do Governo e dos interesses que este defende», e não como uma estrutura independente: é agora simplificada a «centralização de poder de decisão sobre políticas regionais e atribuição de verbas, com um funcionamento opaco, desprovido de verdadeiros mecanismos de escrutínio, ainda mais propicio à tentativa de imposição de mecanismos de dependência, alimentação de clientelas e, por conseguinte, à promiscuidade entre o poder económico e o poder político».
O PS não foi parte omissa no processo. Para além de ter negociado todas estas alterações com o Governo PSD/CDS-PP, acusa o PCP, o mais grave mesmo é o «tratado de Tordesilhas» que foi negociado entre PSD e PS, com o envolvimento das suas estruturas e federações regionais, dividindo entre si «os cargos de Presidente e Vice-Presidentes das cinco CCDR existentes [Algarve, Alentejo, Lisboa e Vale do Tejo, Centro e Norte]», tratando as diversas regiões do País como «coutadas partidárias».
No Alentejo, considera a Direcção Regional do Alentejo do PCP, este entendimento entre PS e PSD reveste-se de «maior gravidade e carácter antidemocrático» dado que a CDU é a segunda maior força no colégio eleitoral que elege o Presidente da CCDR Alentejo, não o partido do Governo. «Trata-se de um deplorável desrespeito pela região Alentejo, pelas suas instituições democráticas (desde logo as autarquias locais) e por diversas entidades», ainda para mais quando a prática histórica é a de construir entendimentos que incluam todas as forças políticas.
Os eleitos autárquicos da CDU no Alentejo confirmam a sua decisão de não participar nas votações de 12 de Janeiro, recusando-se a legitimar «um processo eleitoral que é na prática uma encenação e um acto de desrespeito para com a Região, para com o Poder Local Democrático, e, por consequência, para com a democracia».
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