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|Lisboa

Depois de cortar nas refeições escolares, Moedas quer dar 8 milhões à Web Summit

Em Junho, a Câmara de Lisboa aprovou a eliminação do desconto de 50% nas refeições a alunos não abrangidos por Acção Social Escolar. Num quadro de opções, sabe-se agora que o Executivo vai propor a atribuição de oito milhões de euros para apoiar a Web Summit. 
 

Créditos António Pedro Santos / Agência Lusa

O aumento do custo de vida está a afectar grande parte das famílias e não apenas as de mais baixos rendimentos. Em Lisboa, para essas famílias que estão confrontadas com o aumento de tudo, o desconto de 50% nas refeições escolares a alunos que não beneficiavam de Acção Social Escolar era uma ajuda preciosa, num contexto em que cada cêntimo faz-se sentir na corrida até ao fim do mês.

Eis que, no quadro de opções, a Câmara de Lisboa (PSD/CDS-PP/IL) aprovou a eliminação do desconto nas refeições, em vigor desde 2024, com os votos contra de toda a oposição. Este é um dos exemplos da visão ideológica com que a autarquia é gerida pela direita, uma visão que é acompanhada, por exemplo, por uma devolução de IRS desenhada para privilegiar as famílias de escalões mais elevados e que priva a Câmara de dinheiro que podia ser canalizada para a melhoria da vida colectiva.

Se as opções estão cada vez mais evidentes, eis que um novo capítulo foi aberto. O Diário de Notícias avançou hoje com uma notícia que dá conta de novos subsídios à Web Summit. Segundo o noticiado, a Câmara de Lisboa vai propor oito milhões de euros para apoiar a continuidade da Web Summit no país.

Importa, no entanto, relembrar que este novo apoio milionário surge numa altura em que a autarquia contabiliza mais de 60 milhões de euros gastos com a conferência tecnológica desde 2019. A esse financiamento directo, a Câmara de Lisboa prepara-se para continuar a conceder a isenção de taxas municipais, assim como o fornecimento de electricidade, a montagem e desmontagem de estruturas, comunicações e segurança, ajudas que rondam os 500 mil euros.

Para justificar o apoio, a Câmara de Lisboa poderá alegar que neste campo até há uma redução, na medida em que os subsídios ao evento, nos últimos dois anos, foram de 10 milhões de euros. A questão é que os mais de 60 milhões de euros com a Web Summit desde 2019, correspondem a uma média anual de cerca de 8,6 milhões de euros.

Veja-se que uma refeição escolar, sem desconto, custa 1,50 euros. O valor dado à Web Summit, os tais 8 milhões de euros, corresponderiam a 5 333 334 refeições. Num universo de 30 mil alunos sem Acção Social Escolar, seria necessário que cada aluno fizesse 178 refeições para atingir o valor que Moedas quer entregar ao evento. 
 

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