Por despacho (n.º 11717/2025, de 6 de Outubro), Margarida Balseiro Lopes, ministra da Cultura, Juventude e Desporto, abriu o Programa de Bolsas de Criação Literária 2025, atribuindo apoios financeiros anuais de 15 mil euros a 42 escritores por obras a produzir no próximo ano (24 de criação literária: poesia, ficção narrativa, dramaturgia e escrita teatral e ensaio; 18 para banda desenhada e literatura infantil e juvenil).
O juri (composto por vários escritores, críticos e professores universitários) anunciou os resultados a 30 de Março de 2026, escolhendo obras de autores como Sandro William Junqueira, Inês Bernardo, Lígia Soares, Raquel Nobre Guerra e Rita Taborda Duarte.
Quase seis meses depois, a eficiência neoliberal do Governo PSD/CDS-PP é evidente. Ao que o AbrilAbril apurou junto de vários escritores, não só os contemplados pela bolsa não receberam o pagamento como não lhe foi dirigida qualquer comunicação oficial ao longo de várias semanas.
Em finais de Agosto, num e-mail da Direcção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB), os escritores foram notificados de que o pagamento da bolsa ainda não tinha sido processado «uma vez que se verificou a necessidade de complementar o contrato anteriormente assinado através de uma Adenda, de forma a adequar a respectiva cláusula de pagamento ao procedimento financeiro».
A adenda foi assinada com os vários autores no início do mês de Setembro, estabelecendo um plano de pagamento das bolsas em duas tranches: a primeira, de 50% do montante global, a ser paga mal a adenda ao contrato seja comunicada ao Gabinete de Estratégia, Planeamento e Avaliação Culturais/Fundo de Fomento Cultural (GEPAC/FFC), e a segunda, os restantes 50%, a efectuar «decorridos 6 (seis) meses sobre a data da outorga da presente adenda».
Cerca de três semanas após a celebração desta adenda ao contrato, no início da semana de 21 de Setembro, ainda nenhuma das Bolsas Anuais de Criação Literária 2025 tinha sido paga. Este programa, criado originalmente em 1998, foi depois suspenso pelo Governo PSD/CDS-PP de Durão Barroso. Em 2017, por intervenção do PCP, foram retomadas as Bolsas de Criação Literária.
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