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Israel mantém campanha de detenções na Cisjordânia e viola cessar-fogo em Gaza

As violações israelitas ao cessar-fogo no enclave ascendem a 5989, incluindo 753 em Outubro. Na Cisjordânia, prossegue a campanha de detenções – mais de 600 no mês passado, refere uma organização dos presos.

Jerusalém cadeia presos Ofer
Cadeia de Ofer, na Cisjordânia ocupada, em Outubro de 2026 Créditos / Al Mayadeen

Num comunicado divulgado esta segunda-feira, o gabinete de imprensa do governo em Gaza revelou que as violações cometidas por Israel ao cessar-fogo acordado a 10 de Outubro de 2025 provocaram a morte de 1593 palestinianos e deixaram outros 5748 feridos.

A média diária de violações à trégua situa-se em 24,3, refere o texto citado pela palinfo.com, abrangendo 346 incidentes com disparos, 310 ataques, 64 demolições de casas, 21 rusgas militares e 12 detenções.

De acordo com o documento divulgado pelo gabinete de imprensa, só em Outubro foram mortos 145 palestinianos – incluindo 21 menores, 14 mulheres e duas pessoas idosas –, enquanto 672 outras pessoas ficaram feridas – aproximadamente metade das quais são crianças, mulheres e idosos.

No que respeita à situação humanitária, o gabinete informou que apenas 3777 (20,3%) dos 18 600 camiões com ajuda previstos no acordo entraram na Faixa de Gaza durante o mês de Outubro.

Outro aspecto destacado pelo organismo é o das restricções de viagem impostas por Israel, sendo que, nos 21 dias úteis em Outubro, apenas foram registados 802 movimentos de passageiros (em ambos os sentidos), o que corresponde a apenas 19,1% dos 4200 viajantes que deveriam ter atravessado a fronteira nos termos do acordo.

Neste contexto, o gabinete condenou de forma veemente aquilo que classificou como «política mortal de Israel» e «estrangulamento sistemático» da população indefesa de Gaza, frisando que tais práticas constituem uma violação flagrante do direito internacional humanitário.

Mais de 600 detidos na Cisjordânia e Jerusalém

As forças israelitas efectuaram mais de 600 detenções na Cisjordânia e Jerusalém ocupadas no mês de Outubro – incluindo 14 mulheres e 42 menores –, revelou o Centro de Estudos dos Prisioneiros Palestinianos em comunicado.

O organismo destacou que as forças de ocupação deram sequência às campanhas de rusgas e de detenções massivas em aldeias, cidades e campos de refugiados palestinianos, envolvendo interrogatórios, agressões e espancamentos dos detidos em casas que as tropas israelitas tinham tomado e transformado em centros de interrogatório.

A maior parte dos detidos foi libertada depois dessas sessões, sendo advertida e ameaçada contra a participação naquilo a que a ocupação sionista chama «episódios de incitação» ou contra a publicação de mensagens nas redes sociais.

Na província de al-Khalil (Hebron), as forças de ocupação impuseram um cerco à cidade, levando a cabo operações de busca em centenas de casas, agredindo os residentes e danificando os seus pertences.

Algumas das pessoas foram usadas como escudos humanos, refere o centro, que dá conta de mais de 120 detidos nestas operações.

O organismo destacou ainda o facto de mulheres e crianças terem sido visadas, referindo que mais de 42 menores foram detidos em Outubro último e que, desde Outubro de 2023, registou mais de 2000 detenções de menores palestinianos pela ocupação.

Mais de 580 ordens de detenção administrativa

Os tribunais da ocupação emitiram mais de 580 ordens de detenção administrativa em Outubro, incluindo novas e renovações, revelou o centro, destacando que não são formuladas acusações claras contra os visados e que os tribunais seguem os pareceres dos serviços de segurança internos israelitas.

Menores e mulheres também foram visados por estes procedimentos, incluindo a activista Samar Hamad, cuja ordem de detenção administrativa foi emitida poucos dias depois de ter sido presa, sem qualquer acusação.

Por seu lado – revela a Al Mayadeen – a presa menor Hanaa Hammad, proveniente de al-Khalil (Hebron), viu a sua ordem de detenção ser renovada pela quinta vez.

Penas pesadas

No documento, o centro destaca igualmente o facto de os tribunais israelitas terem decretado penas pesadas contra os presos palestinianos em Outubro – condenações a pena perpétua e a dezenas de anos de cadeia.

Entre os casos referidos, contam-se o de Nazmi Abu Bakr, de Jenin, condenado a pena perpétua seis anos depois de ter sido detido; Mohammad Walid Turkman, também de Jenin, condenado a 45 anos de cadeia; Mohammad Jabr Khudair, de Nablus, condenado a 25 anos, e Fadi Abu Ghraiba, de Jerusalém, condenado a 12 anos. Por seu lado, Omar Nidal al-Barghouti e Muhannad Najib al-Rifai, ambos de Ramallah, foram ambos condenados a 13,5 anos de cadeia.

Vinte e quatro detidos de Gaza foram libertados

O centro revelou ainda que, em Outubro, 24 presos oriundos da Faixa de Gaza foram libertados pela ocupação, depois de terem sido submetidos a várias formas de agressão e tortura.

Alguns foram directamente levados para hospitais, tendo em conta as duras condições de detenção e a política de fome a que foram submetidos.

Um dos libertados encontrava-se desaparecido há três anos, pelo que a família o dava como morto. Neste sentido, o centro destaca a falta de informação precisa sobre os detidos em Gaza, nomeadamente o seu número e onde e como se encontram detidos.

De acordo com as organizações de defesa dos direitos dos presos, neste momento há mais de 9400 palestinianos detidos nas cadeias israelitas, incluindo 92 mulheres e 370 menores – que enfrentam fome, negligência médica e tortura.

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