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Um espaço de liberdade, de transformação e de futuro

O Espaço das Artes Plásticas da Festa do «Avante!» e exposição de Helder Batista no Seixal, projeto expositivo «Chuva De Verão» em Sines e Centenário do Nascimento de Júlio Pomar em Lisboa.

Renata Candeias, Lisnave II, 2023, Grafite aguarelável sobre Papel, 100x350cm. Exposição «Olhar composto sobre a Lisnave - Margueira» de Renata Candeias no Espaço das Artes Plásticas da Festa do «Avante!» na Atalaia, Seixal, dias 4, 5 e 6 de setembro de 2026

Créditos / Renata Candeias

O Espaço das Artes Plásticas da Festa do «Avante!» na Atalaia1, Seixal, nos dias 4, 5 e 6 de setembro de 2026, ano em que não se organiza a Bienal do Avante, vai apresentar três projetos artísticos: a exposição «Olhar composto sobre a Lisnave – Margueira» de Renata Candeias, a exposição coletiva «Finidades» com obras de alunos da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa e a exposição de Desenho «Mundo Cão» com trabalhos dos alunos da Escola Artística António Arroio.

O que Renata Candeias propõe com a sua exposição, maioritariamente desenhada a grafite sobre papel, apresentando diferentes perspetivas e composições de elementos da Lisnave que estão ainda na memória de todos nós, «é olhar de uma forma mais demorada para os vestígios de um espaço outrora industrializado. Que este olhar demorado nos permita refletir, e que possa ser o caminho para entender como os lugares são construídos pelas entidades que o ocupam, pelos trabalhadores que lá trabalham e pelos rituais que se permitem a ter. E de que maneira a defesa do trabalho e da produção nacional permite também defender toda a vida que a acompanha», como nos refere a artista.

A exposição da Renata remete-nos também para um tema que está em discussão nos nossos dias, que é a importância de preservar, reabilitar e revitalizar esses espaços «esquecidos» ou em ruínas, através de projetos artísticos que ajudem a reconstruir e projetar essa memória na construção do nosso futuro, referindo apenas alguns exemplos de como a Arte contemporânea tem vindo a explorar a memória de instalações fabris, prática esta também designada como «estética do abandono na era pós-industrial», como o Projeto 8 Marvila, Lx Factory, Metalúrgica Alentejana em Beja, Fábrica Braço de Prata, Fundição de Oeiras, Fábrica Asa, em Guimarães, Fábrica de Santo Thyrso, entre muitos outros.

Em «Finidades», os alunos da FBAUL propõem uma exposição «que reflita, à semelhança da própria Festa, as múltiplas formas de construir o mundo. Embora partindo de diferentes perspetivas, os trabalhos apresentados convergem num princípio comum, ou seja, o respeito pela disciplina artística e pelas suas diversas linguagens, aqui representadas através da gravura e da escultura… A criação artística só pode proporcionar novos mundos quando alia a força das ideias ao domínio técnico da matéria. A narrativa da mudança e da confiança no futuro exige tanto da mão que trabalha como da mão que pensa, só deste modo é possível pela arte antecipar o tempo que está por vir», como nos diz Cláudia Varela, afirmando a arte «como um espaço de liberdade, de transformação e de futuro». 

A exposição «Mundo Cão» da Escola Artística António Arroio, apresenta-se «como um grito de desabafo ou de alerta... A exposição reúne o resultado de trabalho desenvolvido pelos alunos na disciplina de Desenho, em torno de um leque de temas que refletem o mundo atual, das questões humanas e ambientais às guerras e outras formas de violência, para dar a ver e a partir da sua experiência sensível alargar práticas estéticas, numa atitude positiva, crítica e responsável, desenhando preocupações e exprimindo lugares de humanidade. Nos valores que esquece, e naqueles que defende. Repensar o mundo, reaproveitar, valorizar, defender…», segundo texto de apresentação.

Helder Batista, Relevos, 1992, Medalha da Exposição no Fórum Cultural do Seixal, Bronze. Exposição «Do Traço à Matéria» de Helder Batista no Centro Internacional de Medalha Contemporânea, no Seixal, até 28 de agosto 

Créditos CIMC

O Centro Internacional de Medalha Contemporânea2, no Seixal, apresenta a exposição «Do Traço à Matéria» de Helder Batista (1932–2015), que vai decorrer até 28 de agosto. Exposição em homenagem a Helder Batista (1932–2015), que resulta da doação que os seus filhos fizeram ao município, de um espólio constituído por cerca de 200 peças, entre medalhas, provas e maquetas.

«Fiel à tradição medalhística que vem desde o Renascimento, Helder Batista defendia a medalha enquanto objeto artístico com um papel informativo, para ser lida nas mãos. Não obstante, no campo da medalha, destaca-se nacional e internacionalmente, tendo-se dedicado à medalha, à escultura, ao desenho e à moeda.», segundo texto apresentado pela organização.

Ao longo da sua carreira, salientam-se vários primeiros prémios em concursos nacionais e internacionais, destacando em 2014, em que venceu o 1.º Prémio do Concurso para a Medalha Comemorativa do XXIX Congresso da Federação Internacional da Medalha de Arte, que decorreu no Seixal, em 1980 recebeu a Medalha Comemorativa do 1.º Centenário da Companhia Nacional de Navegação e o Prémio Saltus Award, atribuído pela American Numismatic Society de Nova Iorque, em 1999, nos Estados Unidos da América.

Helder Batista «foi o maior experimentador, o mais curioso, o mais aberto, tentado por novas experiências formais que ensaiava com verdadeira paixão e labor, sem transigências com a sua forte personalidade; o mais, ou um dos mais ecléticos, servido por uma oficina, a Gravarte, com uma tenacidade, um profissionalismo verdadeiramente exemplar, sempre atento a tudo o que o rodeava, interpelando a realidade, transformando-a num plano, sendo hoje um marco fundamental da Medalha Contemporânea Portuguesa e Internacional», escreveu o escultor João Duarte no catálogo da exposição.

Desde a abertura, o Centro Internacional de Medalha Contemporânea tem vindo a afirmar-se como um espaço internacional de valorização, divulgação e produção da medalhística e enquanto ponto de encontro entre medalhistas, comunidade escolar e académica e público em geral. 

Exposição coletiva «Chuva De Verão» no Centro de Exposições do Centro de Artes de Sines, até 17 de outubro
 

Créditos CAS

«Chuva De Verão» é um projeto expositivo da CACE (Coleção de Arte Contemporânea do Estado) que, a cada verão, se instala num território português com tradição balnear, sendo apresentado este ano no Centro de Exposições do Centro de Artes de Sines3. Esta exposição, uma seleção de 37 obras da CACE, conta com a curadoria de Fernando J. Ribeiro e Sandra Vieira Jürgen e ficará patente até 17 de outubro.

Chuva de Verão reúne um conjunto significativo de obras de artistas consagrados e emergentes, refletindo a diversidade e a vitalidade da produção artística contemporânea em Portugal. Participam: Alice Geirinhas, Ana Cardoso, Ana Hatherly, Ana Jotta, Andreia Santana, António Palolo, Bruno Cidra, Bruno Pacheco, Daniela Ângelo, Eduardo Batarda, Eugénia Mussa, Fernão Cruz, Francisca Carvalho, Francisco Trêpa, Helena Almeida, Hernâni Reis Baptista, Inês Zenha, Jimmie Durham, João Ferro Martins, João Fonte Santa, Joaquim Bravo, Jorge Queiroz, José Pedro Croft, Julião Sarmento, Luís Lázaro Matos, Maria José Cavaco, Mumtazz, Paula Rego, Pedro Casqueiro, Pedro Valdez Cardoso, René Bertholo, Rigo 23, Sara Bichão, Sara Mealha, Tito Mouraz.

A exposição «Chuva De Verão» está integrada no programa de circulação nacional da coleção, esta exposição propõe uma leitura sensível e expandida do imaginário associado ao verão, sendo estruturada em núcleos temáticos, entre o humano e o animal, as geografias imaginárias e os corpos em suspensão, «a exposição propõe uma reflexão sobre a permeabilidade das identidades e dos espaços, convocando dimensões instintivas, utópicas e sensoriais. Ao mesmo tempo, inscreve-se numa lógica de itinerância e colaboração institucional, reforçando o compromisso da CACE com a circulação do património artístico e com a ampliação dos seus contextos de receção.», segundo o texto da exposição. 

No âmbito das Comemorações do Centenário do Nascimento de Júlio Pomar, o Atelier-Museu Júlio Pomar4 em Lisboa apresenta a exposição «Júlio Pomar. A cola não faz a colagem», que percorre mais de sete décadas da obra do artista. A exposição vais decorrer até 6 de setembro de 2026.

O título da exposição surge da apropriação de parte de uma frase do pintor alemão Max Ernst «As plumas podem fazer a plumagem, mas a cola não faz uma colagem», que Pomar usou num dos seus textos, L’Écrit [O Escrito], de 1981.

Júlio Pomar, O Enigma de Édipo, 1978. Exposição «Júlio Pomar. A cola não faz a colagem», no Atelier-Museu Júlio Pomar em Lisboa, até 6 de setembro de 2026

 

Créditos AMJP

«Partindo da ideia de colagem como procedimento amplo, esta exposição propõe uma leitura alargada da prática artística de Júlio Pomar, desde o período neorrealista até à fase final da sua vida. Segundo Pomar, "pinto, recorto, combino, repinto ou raspo, arranho, limo, aliso; para a seguir talvez nada mais fazer do que re-recortar, re-combinar, re-pintar, outra vez, e tudo desarrumar". Pomar testa articulações e modos de encaixe, tal como um corpo humano vai ao encontro de outro, movido pelo desejo ou pela atração.», segundo o texto da exposição.

Esta exposição de Pomar reúne cerca de 50 obras, entre pinturas, desenhos, esculturas e assemblagens, reafirmando a importância que o artista sempre deu à experimentação artística e revelando, como refere o texto, «o confronto ou a união de fragmentos foram uma estratégia recorrente e uma prática que permitiram a Júlio Pomar refletir sobre a História da Arte, sobre a estrutura das imagens, assim como produzir novos sentidos, representações, referências e narrativas».

O autor escreve ao abrigo do Acordo Ortográfico de 1990 (AO90)

  • 1

    Festa do «Avante!» – Quinta da Atalaia, Av. Baía do Seixal 2845-415 Amora-Seixal. Horário:
    sexta-feira: 19h-1h30; sábado: 10h-1h30 e domingo: 10h-23h

  • 2

    Centro Internacional de Medalha Contemporânea, Avenida da República, n.º 2571 Arrentela
    2840-741 Seixal. Horário: de terça-feira a sábado, 10h-12h30 e 14h-18h

  • 3

    Centro de Artes de Sines – Rua Cândido dos Reis 33 Sines 7520-177. Horário: segunda a sexta,
    14h-20h; sábado, 12h-18h

  • 4

    Atelier-Museu Júlio Pomar, Rua do Vale, 7 1200-472, Lisboa. Horário: terça a domingo, 
    10h-13h e 14h-18h. Encerra à segunda-feira

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