Saramago e o «Memorial do Convento» inspiram rota cultural

O romance Memorial do Convento, de José Saramago, publicado em 1982, inspira uma rota cultural a estabelecer por Lisboa, Loures e Mafra, «resgatando importantes elementos do património religioso, estético e turístico».

José Saramago
José SaramagoCréditosJosé Luís Roca / CC BY 2.0

«Pela primeira vez em Portugal, um livro dá origem a uma rota cultural, abarcando três municípios», afirma a organização, em comunicado enviado à agência Lusa, referindo que este itinerário literário envolve as personagens do romance, nomeadamente os protagonistas, Blimunda e Baltasar, «o sonho utópico de voar de Bartolomeu de Gusmão e a devoção à música de Domenico Scarlatti, fazendo o passado histórico ganhar vida no presente».

A Rota Memorial do Convento segue a narrativa de Saramago, que se torna um «ponto literário aglutinador de momentos e monumentos históricos e paisagísticos do século XVIII, entre Lisboa e Mafra, passando por Loures», unindo «pontos de interesse patrimonial situados em Sacavém, Santo António dos Cavaleiros, Unhos, Santo Antão do Tojal, Fanhões, Malveira, Mafra e Cheleiros».

O percurso, assinala a organização, cruza a rota da pedra e a dos materiais estéticos e religiosos de Lisboa para o Convento de Mafra, assinalando outros pontos históricos dos três concelhos, como o miradouro sobre o rio Trancão, o Palácio dos Arcebispos, em Santo Antão do Tojal, a igreja de Alcainça e o seu portal gótico, ou o passado histórico de Cheleiros, cuja produção vinícola foi famosa até ao século XIX.

A criação da rota celebra os 35 anos da publicação do Memorial do Convento, um «romance que revolucionou a literatura portuguesa» na época (1982), e homenageia José Saramago, único escritor de Língua Portuguesa distinguido com o Prémio Nobel da Literatura (1998).

A Rota do Memorial do Convento é apresentada como «um projeto intermunicipal», envolvendo Lisboa, Loures e Mafra, em que um dos parceiros estratégicos é a Fundação José Saramago.

O projecto enquadra-se no Programa Operacional Regional de Lisboa 2014/2020, tendo um financiamento total de 392 397 20 euros, parcelado pelos três municípios: Lisboa, com a contribuição mais baixa, 41 272 94 euros, Loures, com 179 592 69 euros, e Mafra, com 171 531 57 euros.

Os locais que fazem a Rota

O percurso previsto em Lisboa passa pela praça da Figueira e praça do Comércio, assim como Casa dos Bicos, na rua dos Bacalhoeiros.

Em Loures, passa pela Biblioteca Municipal Ary dos Santos, onde está instalado um ponto de informação sobre a rota, pelo Miradouro sobre o Rio Trancão, em Sacavém, a Igreja de Unhos, o Centro de Acolhimento da Rota Memorial do Convento, no Museu Municipal de Loures, a Quinta do Conventinho, em Santo António dos Cavaleiros, o Centro de Acolhimento Turístico e Interpretativo da Rota Memorial do Convento, na Biblioteca Municipal José Saramago, na cidade de Loures, a praça Monumental, em Santo Antão do Tojal, e os largos do Coreto, em Fanhões, da Feira, na Malveira, e a Igreja de São Miguel, em Alcainça.

Em Mafra, a rota abarca a capela do Espírito Santo, Palácio Nacional, Miradouro de Vila da Velha, antigas Casas da Câmara e Pelourinho de Mafra e, finalmente, em Cheleiros, o largo da Igreja Matriz.

Está previsto a colocação de sinalética explicativa nos pontos de interesse nos três concelhos, bem como o desenvolvimento de «cinco acções, dirigidas a diferentes tipos de público», para a divulgação da Rota, designadamente no Congresso Internacional sobre a Obra de Saramago e no Festival Internacional de Música Barroca.

O itinerário pode começar ou terminar na Casa dos Bicos, sede da Fundação José Saramago, em frente à qual foi plantada a oliveira trazida de Azinhaga do Ribatejo, terra natal do escritor, cujas raízes acolhem as suas cinzas.

A Rota terá uma apresentação pública, na segunda-feira, na Fundação José Saramago, em Lisboa.


Com Agência Lusa