Governo discrimina utentes da AML

A transferência da gestão da Carris para o município de Lisboa coincidiu com a aplicação de descontos para crianças, reformados e idosos. Porém, a medida não se aplica aos utentes dos restantes concelhos da Área Metropolitana que também são servidos pela empresa.

Em 2017, o Governo transferiu a Carris para a alçada da Câmara Municipal de Lisboa
Créditos

No passado dia 1, data em que a gestão da Carris foi entregue por António Costa ao município de Lisboa, entraram em vigor as medidas anunciadas em Novembro pelo presidente do município de Lisboa, Fernando Medina.

A gratuitidade para as crianças menores de 12 anos e o desconto de 60% para todos os maiores de 65 anos foram anunciadas como se decorressem do novo modelo de gestão da empresa. Na realidade não decorrem. Mas detalhemos.

A gratuitidade para crianças está estipulada para a Carris e para o Metro de Lisboa. Como a administração do Metro permanece sob a alçada do Governo, a emissão do desconto não partiu do município mas antes do Executivo de António Costa.

Salta à vista a discriminação de que são alvo os utentes dos transportes da Área Metropolitana de Lisboa e várias perguntas se levantam, designadamente o porquê de restringir a medida a estes operadores, e se os privados podem vir a ser contemplados. Ou seja, apesar da Carris servir um total de seis municípios, designadamente Almada, Amadora, Lisboa, Loures, Oeiras e Odivelas, os descontos ficam reservados à capital, deixando de fora as redes de transportes dos restantes concelhos servidos pelo Metro, pela Carris e pela CP. 

Desconto para maiores de 65: só na Carris, Metro e CP

As dúvidas estendem-se aos descontos de 60% para reformados e maiores de 65 anos, previstos também na CP. Estando esta sob a alçada do Governo, fica por esclarecer o porquê da redução afectar apenas o passe Navegante Urbano e não o Navegante Rede (que serve toda a rede da Carris e do Metro, incluindo a que está fora da cidade de Lisboa) ou outros passes intermodais.

A discriminação gerada com esta decisão coloca a necessidade de uma discussão em torno da gestão metropolitana dos transportes, onde naturalmente se inclui a bilhética.

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