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Índia enfrenta crise de desemprego

Nos últimos três meses de 2020, cerca de nove milhões de pessoas perderam o emprego no país asiático, de acordo com os dados divulgados pelo Centro de Monitorização da Economia Indiana.

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Na Índia, aumentaram o desemprego, a precariedade, as privatizações e os ataques aos direitos dos trabalhadores Créditos / scroll.in

Por comparação com Dezembro de 2019, no final do ano passado havia menos 17 milhões de pessoas empregadas na Índia, segundo o último relatório emitido pelo Centro de Monitorização da Economia Indiana (CMIE, na sigla em inglês).

Desde o final Setembro, pelo menos nove milhões de pessoas ficaram sem trabalho. A mesma fonte refere que, no último trimestre do ano, a Índia viu o emprego diminuir 2,8% em comparação com igual período de 2019 e que a taxa de desemprego subiu para 9,1%, quando, no final do ano passado, o desemprego registado não passava dos 7,1%.

A análise da CMIE, a que o portal newsclick.in teve acesso, mostra que no ano passado o desemprego aumentou sobretudo nas áreas urbanas, entre os jovens e as mulheres.

Embora as mulheres representem apenas 11% da força de trabalho registada, foram elas que mais sofreram os efeitos da quarentena mal preparada pelo governo de Narendra Modi – milhões de trabalhadores viram-se sem trabalho e sem apoios de um dia para o outro – e das medidas restritivas associadas ao contexto da pandemia: 52% dos postos de trabalho perdidos dizem respeito a mulheres.


A análise também destaca a elevada perda de emprego entre os trabalhadores com educação superior, que representam uma fatia de 13% da força de trabalho na Índia. Segundo os dados da CMIE, 65% destes trabalhadores ficaram sem emprego o ano passado.

Outro elemento que o relatório sublinha é o aprofundamento da precarização e o consequente agravamento da situação laboral dos trabalhadores indianos, que estão a receber menos e a trabalhar em condições menos seguras que anteriormente. Por seu lado, os jovens e as mulheres não estão a conseguir arranjar trabalho, e os salários «irregulares» tornaram-se mais comuns.

O portal newsclick.in afirma que a situação anterior já não era famosa, uma vez que os salários eram baixos, os trabalhadores não tinham poupanças ou qualquer rede de segurança. Quando a quarentena foi decretada, a muitos deles não restou outra hipótese senão sobreviver como podiam e «empregar-se» no que aparecia e pelo que lhes ofereciam, na agricultura ou vasto sector informal da Índia.

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