|25 de Abril

O que lhes dói é que haverá sempre quem o celebre

Os promotores desta contestação não se insurgem contra os moldes em que se realizará a cerimónia de celebração do 25 de Abril, mas sim contra a revolução e as conquistas que ela permitiu.

Créditos / Espalha Factos

Milhares de assinaturas recolhidas, em resultado de uma indignação instigada por aqueles a quem a democracia continua a incomodar, vieram pedir que não houvesse celebração do 25 de Abril na Assembleia da República.

Importa perceber que a base da revolta de muitos será o próprio desamparo que sentem devido a esta situação. O País é obrigado a parar, para o bem de todos, mas uns ficam à espera de dias para voltar aos passeios ao sol, os outros estão impedidos daquilo que lhes permite sobreviver: vender a sua força de trabalho. Ou então, pelo contrário, são aqueles, que agora são considerados «essenciais», que todos os dias saem para manter os mínimos indispensáveis a funcionar, a produzir alimentos, a limpar hospitais, a cuidar dos doentes, a transportar mercadorias, a vender os produtos necessários ao dia-a-dia. E muitos fazem-no com salários de miséria, com falta de meios de protecção, sem perceber bem como é que de repente lhes batem palmas e lhes retiram o direito a protestar contra a exploração a que sempre estiveram sujeitos.

E depois há as celebrações do 25 de Abril, o dia que trouxe o povo para a rua a conquistar os direitos que hoje ainda não perdemos e pelos quais continuamos a lutar, e há os que insistem em dizer que é com mais democracia que podemos resolver os problemas com que nos deparamos: com o investimento que for preciso no Serviço Nacional de Saúde e a valorização efectiva dos trabalhadores que garantem o desenvolvimento do País e a produção da riqueza.

Dito assim, não parece razão para indignação, que se assinale no Parlamento – que tem funcionado com menos deputados desde o início da aplicação das medidas de contingência, justamente para as discutir e definir  – a data do derrube do regime fascista e da fundação do regime democrático.

Os promotores desta contestação não se insurgem contra os moldes em que se realizará a cerimónia de celebração do 25 de Abril, mas sim o facto de a Revolução dos Cravos ter acontecido, de continuar a ser um momento marcante da história contemporânea portuguesa e de haver sempre quem a celebre e lute pelas conquistas que permitiu.

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