«A Itália é convocada, no respeito pelos princípios da sua Constituição e as suas obrigações multilaterais, a promover o direito universal à saúde, a cooperação internacional e a rejeição de medidas sancionatórias secundárias, em coerência com o voto também expresso na última Assembleia Geral da ONU de 2025 contra o embargo unilateral a Cuba», refere o texto, citado pela Prensa Latina.
Neste sentido, pede-se especial atenção ao fornecimento de combustível para uso sanitário, medicamentos, equipamentos médicos e materiais destinados à protecção da saúde materno-infantil.
O documento, apresentado pelo Partido Democrático (PD) e aprovado por unanimidade, reconhece o impacto das medidas coercivas unilaterais norte-americanas e apela à promoção de novas iniciativas de cooperação bilateral e multilateral de apoio do povo cubano, indica a fonte.
A resolução apela à continuidade do apoio à população da Ilha, prestando também atenção às grávidas em risco, recém-nascidos, menores e doentes crónicos, e explorando canais alternativos que permitam ultrapassar as actuais limitações do tráfego aéreo.
Descreve ainda o impacto no país antilhano das medidas coercivas unilaterais aplicadas pelas diferentes administrações norte-americanas ao longo dos últimos 65 anos.
Aborda, para além disso, os danos causados ao povo cubano pelo cerco energético implementado por Washington desde Janeiro deste ano, bem como as numerosas medidas aplicadas nos últimos meses com o objectivo de dificultar o acesso ao financiamento e impedir a entrada de combustível no país.
Alerta que as duas ordens executivas assinadas pelo presidente norte-americano, Donald Trump, a 29 de Janeiro e a 1 de Maio de 2026, tiveram consequências humanitárias, económicas e sociais dramáticas para uma população duramente afectada pelas restricções norte-americanas.
Solidariedade cubana não esquecida
O documento – explica a Prensa Latina – reúne informações fornecidas por uma missão de deputados italianos e europeus, autoridades locais e associações da sociedade civil que se estiveram em Cuba entre 23 e 28 de Setembro último, com o objectivo de prestar ajuda à Ilha e conhecer, em primeira mão, os danos causados pelo bloqueio económico, comercial e financeiro.
Reconhece, além disso, o contributo dado pelos profissionais de saúde cubanos que se deslocaram a Itália durante a fase da Covid-19 e destaca a cooperação que continua a ser desenvolvida na região da Calábria, no Sul do país, onde centenas de médicos cubanos contribuem para o funcionamento dos serviços hospitalares.
Deputados congratulam-se com aprovação do texto
A aprovação do documento pela comissão parlamentar – que ocorre também no contexto da apreciação na Assembleia Geral das Nações Unidas, que terá lugar este mês, da resolução apresentada por Cuba a reivindicar o fim do bloqueio económico, comercial e financeiro imposto por Washington – é um facto revelador do espaço que ganharam no meio político italiano os impactos do bloqueio.
A aprovação foi destacada nos canais oficiais do PD e nas redes sociais da sua secretária-geral, Elly Schlein, que pediu ao governo italiano que intervenha «para fazer frente à dramática situação» que o povo cubano vive, em virtude do bloqueio imposto pelos EUA há quase 65 anos, que «se agravou devido às sanções energéticas impostas por Trump».
O Movimento 5 Estrelas (M5S) também expressou a sua satisfação pela decisão aprovada de forma unânime na Comissão de Negócios Estrangeiros, tendo sublinhado que se trata de um passo significativo para o apoio concreto ao povo cubano.
«Importa agora continuar neste sentido», afirma o M5S, frisando a importância de não ceder à «intimidação de Trump» contra a Ilha, refere o portal newsitaliamedia.it.
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