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|Câmara Municipal de Évora

Évora, Capital Europeia da Cultura 2027, não está a pagar vários apoios à cultura

Após denúncia da CDU, o executivo do PS na Câmara de Évora reconheceu que incumprimentos no pagamento aos agentes culturais do concelho se vão prolongar até, possivelmente, a 2029, último ano deste mandato.

Carlos Zorrinho, presidente da Câmara Municipal de Évora, pelo PS. Évora, 12 de Outubro de 2026 

Créditos Nuno Veiga / Agência Lusa

O Centro Dramático de Évora (Cendrev) é a entidade cultural a quem foi entregue a programação, no âmbito da Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses, do Teatro Garcia de Resende, na cidade de Évora. A Câmara Municipal de Évora (CME) complementa, todos os anos, o apoio da Direcção-Geral das Artes (DGArtes) com outros 200 mil euros, para além do apoio ao funcionamento deste importante equipamento cultural na cidade alentejana.

O apoio em 2026 está comprometido, e a comprometer importantes eventos culturais (como é o caso da 18.ª Bienal Internacional de Marionetas de Évora) a poucos meses da cidade assumir o papel de Capital Europeia da Cultura de 2027. À DianaFM, Carmen Carvalheira, vereadora da CME (de maioria PS, desde o final de 2025), assumiu que o compromisso da autarquia, neste momento, é de pagar 60 mil euros (de 100 mil) até ao final do ano, ainda sem data prevista para o fazer.

Em Setembro, a direcção do Cendrev alertou para «a asfixia financeira gerada por esta sucessão de incumprimentos» e para a total ausência de resposta do executivo camarário para sucessivos pedidos de reunião e de esclarecimento feitos peitos pelo centro, com mais de 50 anos de existência. A denúncia pública forçou o PS a reconhecer publicamente a incapacidade de pagamento e da criação de um plano de pagamento dos valores em dívida.

Não é uma situação pontual. As dificuldades do município em cumprir os apoios financeiros com que se comprometeu com os agentes culturais do concelho vão prolongar-se enquanto Évora celebra a Capital Europeia da Cultura. O PS espera ter atingido a estabilidade apenas em 2028 ou 2029, no final do mandato autárquico.

A este conjunto de incumprimentos «acresce a criação de dificuldades nas novas candidaturas em 2026 à DGArtes, o que confirma que a gestão PS na Câmara Municipal de Évora visa reduzir os apoios à Cultura, ignorando que o Estado apoia os agentes culturais com verbas importantes, num quadro que exige que o município também participe com apoios, o que tinha acontecido até agora», defendeu a organização concelhia da CDU de Évora, num comunicado enviado à comunicação social.

«O comportamento do executivo municipal é preocupante», considera a coligação de comunistas e ecologistas. Para além de ter passado a cobrar aos agentes culturais pela utilização de equipamentos municipais («cuja isenção, em muitos casos, estava incluída na declaração de apoio do município submetida à DGArtes»), estas entidades são agora obrigadas pelo PS a um «processo de duplo escrutínio», com o apoio do PSD e Chega, sustentado num regulamento municipal de 2011 «com o qual [o executivo PS] agora diz não concordar e querer rever».

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