Contestando o novo congelamento do índice salarial anunciado no início do mês pelo governo, as organizações sindicais CGT, FO, CFDT, UNSA, FSU, Solidaires, CFE-CGC e FA-FP decidiram unir-se e mobilizar-se para exigir a valorização dos salários dos funcionários públicos, bem como «recursos orçamentais à altura» das necessidades e tarefas dos serviços públicos.
A jornada de greve e mobilização desta terça-feira envolveu mais de 300 mil manifestantes em cerca de 170 mobilizações por todo o país, com elevada participação de trabalhadores da função pública e dos bombeiros, a que se juntaram estudantes, reformados e trabalhadores do sector privado pela valorização dos salários e em defesa do emprego, refere a Confederação Geral do Trabalho (CGT) nas redes sociais.
Em Paris manifestaram-se 70 mil pessoas e em Marselha 30 mil, de acordo com os dados divulgados pela CGT, que também deu conta de 11 mil manifestantes em Toulouse, dez mil em Lille e Bordéus, e 8000 em Lyon e Orleães. O Ministério do Interior apontou para números substancialmente mais baixos.
Os sindicatos que integram a Intersindical declararam-se prontos para uma mobilização mais ampla em torno dos salários – não apenas na função pública – caso não sejam adoptadas medidas de apoio ao poder de compra, refere o portal bfmtv.com.
«As frentes de luta vão multiplicar-se»
«Quero alertar o governo: o cerco está a fechar-se, e a insatisfação cresce em relação aos salários e ao custo de vida», declarou Sophie Binet, secretária-geral da CGT, pouco antes do início da marcha em Paris, convocada conjuntamente pelos sindicatos da função pública.
Citada pela BFMTV, Binet advertiu que «os nossos serviços públicos estão no limite» e pediu ao governo que «reavalie profundamente o seu projecto de orçamento», que considerou «perigoso».
«Quem esteve na linha da frente este Verão? Os bombeiros e os profissionais de saúde, enquanto Emmanuel Macron andava de jet-ski», declarou a secretária-geral da CGT em Paris, para sublinhar que os trabalhadores não podem ser «recompensados com uma redução salarial», sobretudo tendo em conta que, «nos últimos dez anos, com o congelamento dos índices de actualização, os salários dos funcionários públicos já caíram 20%».
Sophie Binet exigiu ainda «recursos para os serviços públicos poderem enfrentar os desafios do futuro». «Porque é que o Verão foi tão catastrófico? Porque foram encerradas 45 mil camas nos hospitais, porque os bombeiros perderam mil camiões em 20 anos e porque os nossos serviços públicos estão no limite», denunciou.
«Serviços públicos estão a lutar pela sobrevivência»
Também em Paris, a secretária-geral da Confederação Francesa Democrática do Trabalho (CFDT), Marylise Léon, pediu um maior reconhecimento do trabalho realizado pelos funcionários públicos.
A dirigente sindical afirmou que, face à perda de poder de compra, não é possível não valorizar os salários da função pública e destacou que estes trabalhadores «estão fartos dos ataques à categoria». «Se o trabalho no serviço público fosse tão confortável, não haveria tanta dificuldade em recrutar», disse, defendendo ainda a necessidade de melhorar as condições de trabalho.
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