O Gabinete do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos no Território Palestiniano Ocupado (ACNUDH-TPO) alertou que a deslocação na Faixa de Gaza se tornou um «pesadelo agudo e crónico», num contexto em que as forças de ocupação israelitas continuam a empurrar os palestinianos para áreas geográficas cada vez mais pequenas e em que persistem os ataques às infra-estruturas civis e aos espaços que albergam pessoas deslocadas.
Ajith Sunghay, responsável do organismo, afirmou num relatório divulgado esta sexta-feira que a maioria dos palestinianos está a entrar no seu quarto ano de deslocação e no quarto Inverno a viver em tendas precárias, que não resistem à chuva, ao mesmo tempo que permanecem vulneráveis aos bombardeamentos israelitas.
Sunghay apelou ao fim deste sofrimento, manifestando a esperança de que o este Inverno seja o último em que os palestinianos são forçados a enfrentar tais condições.
Salientou ainda que as pessoas deslocadas antes do anúncio do cessar-fogo têm pouca ou nenhuma perspectiva de regressar às zonas de onde fugiram, dada a impossibilidade de aceder a vastas regiões situadas para lá daquilo que é conhecido como «Linha Amarela». «E continuam a ser forçados a deslocar-se repetidamente», disse, citado pelo portal da ONU.
Espaços reduzidos e expansão do controlo militar israelita
O documento das Nações Unidas explica que as forças de ocupação continuam a reduzir os espaços disponíveis para os palestinianos ao expandirem a sua presença militar para oeste – um movimento que coincide com a destruição das infra-estruturas que resistiram e com ataques a aglomerados de pessoas deslocadas.
O relatório alerta que tais práticas levantam sérias preocupações quanto a uma possível deslocação forçada e limpeza étnica.
Referindo que a ocupação anunciou a intenção de alargar a sua presença militar a cerca de 70% do território da Faixa de Gaza, a ONU destacou ainda que, nas últimas duas semanas, documentou a expansão militar israelita para oeste no bairro de Shuja’iyya (Cidade de Gaza), em áreas do campo de al-Bureij (Deir al-Balah) e do campo de refugiados de al-Maghazi, na região central do enclave.
No mesmo contexto, o organismo disse ter tido conhecimento de pelo menos dois ataques israelitas a campos de refugiados em Shuja’iyya, onde as forças de ocupação usaram robôs para fazer explodir os poucos edifícios que continuavam de pé.
Número de vítimas a aumentar
Até este sábado, o Ministério da Saúde em Gaza registou a morte de pelo menos 74 594 palestinianos desde Outubro de 2023, como resultado da ofensiva genocida israelita. No mesmo período ficaram feridas 175 834 pessoas.
Desde o começo do chamado cessar-fogo (10 de Outubro de 2025), foram mortos 1580 palestinianos e 5711 ficaram feridos, referiu a mesma fonte.
De acordo com a informação divulgada pela agência Wafa, ao longo deste domingo, pelo menos mais dez palestinianos foram mortos no enclave em resultado de ataques israelitas, cinco dos quais em Khan Younis (Sul) e três na Cidade de Gaza.
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