Basta de retrocessos na Nossa América!

Desde que o presidente eleito da Argentina e o não eleito do Brasil assumiram a governação, os interesses do capital passaram a ter dois valentes paladinos no continente sul-americano. O rumo é de empobrecimento e agravamento da desigualdade.

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Créditos / bigbangnews.com

Desde que o presidente eleito da Argentina e o não eleito do Brasil assumiram a governação, os interesses do imperialismo e do capital passaram a ter dois valentes paladinos no continente sul-americano. O filme é conhecido: disseminado o argumento de que a despesa pública não é comportável e de que a necessidade de «ajuste» é um imperativo nacional, segue-se a imposição da política de austeridade.

Em simultâneo, os tempos são de feição para saques variados: privatiza-se, aliena-se, leiloa-se, concessiona-se. O governo Temer acabou agora mesmo de dar o exemplo, pondo quatro aeroportos, até aqui administrados pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária – Infraero, nas mãos do capital estrangeiro (Fraport, Vinci e Zurick).

Uma política de alienação que traz ao peito cortes na despesa em áreas fundamentais como a Educação ou a Saúde públicas (para tal foi aprovada a malfadada PEC 55), o embaratecimento dos custos do trabalho, ataques aos direitos consagrados e políticas fiscais que agravam as desigualdades. O cenário perceptível no todo da União vê-se também com clareza nos estados, cujos governos tentam privatizar água e saneamento, e atacam os direitos dos trabalhadores, procurando levar por diante os seus «pacotes de maldades».

Para os trabalhadores, os reformados e as camadas mais desfavorecidas da sociedade, o rumo é de empobrecimento. Maior se se concretizar a aprovação da PEC agora em discussão, a 287, da Reforma da Previdência. A boa governança fica... para os ricos – cada vez mais ricos –, para os bancos e a especulação.

Panorama semelhante é o que se vive na Argentina, porque se aplicam idênticas receitas, sustentadas em argumentação semelhante: há uma crise, é preciso alienar o património público, é necessário despedir, aumentar preços de gás, água e transportes. E, neste contexto de «paga o mais pobre», diminui-se a carga fiscal para os ricos, para que invistam – defende o governo de Macri, que já foi caracterizado como uma «máquina de fazer pobres» e que agravou tremendamente a desigualdade social.

Assim sendo, é natural que no Brasil e na Argentina se assista – com bastante força em tempos mais recentes – a enormes mobilizações, greves sectoriais, acções de protesto, caçaroladas contra os «tarifaços», marcadas por um pendor mais unitário. E a luta está para continuar.

É também neste contexto que os sectores progressistas da Nossa América se mostram preocupados com o desenlace das eleições no Equador, agora que está aí à beira a realização da segunda volta – a 2 de Abril. Na Internet, já corre um manifesto a alertar para o erro de escolher o candidato banqueiro da direita, pois seria um «Macri ou um Temer equatoriano» (e cujos apoiantes, recorde-se, criaram um clima de grande tensão em redor da publicação dos resultados da primeira ronda). Porque é imperioso travar os retrocessos na região, a sua opção é Lenín Moreno.

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