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Escolas encerradas espelham forte adesão

Os dados do início da manhã apontam para uma adesão total em escolas de todo o País. No Arsenal do Alfeite, Arménio Carlos afirmou que os trabalhadores do sector público exigem a sua valorização.

Aviso de encerramento colado no portão da entrada da Escola Secundária Passos Manuel durante a greve nacional de trabalhadores da Administração Pública, em Lisboa, 26 de Outubro de 2018
CréditosMário Cruz / Agência LUSA

Os efeitos da greve nacional dos trabalhadores da Administração Pública já se está a fazer sentir nas escolas de norte a sul do País. Segundo dados do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local (STAL/CGTP-IN), a adesão é total em muitas escolas, como em Viana do Castelo, Braga, Guimarães, Vila Nova de Famalicão, Amares, Carregal do Sal, Amadora, Vendas Novas, Mértola ou Beja.

No distrito do Porto, a adesão oscila entre os 80% e os 90% nas escolas de Gondomar, Lousada, Marco de Canaveses ou Vila do Conde, segundo os dados provisórios.

O secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof/CGTP-IN), que participa num piquete de greve junto ao Agrupamento de Escolas Marquesa de Alorna (Lisboa), afirmou que «hoje é um dia praticamente sem aulas», com escolas encerradas por todo o País, dada a paralisação do pessoal docente e não docente.

Serviços de autarquias de todo o País encerrados

Há vários serviços municipais já com dados apurados que apontam para uma adesão superior a 90%, como são exemplo os sectores operacionais em Sobral de Monte Agraço, Évora, Beja, Guarda, Manteigas ou Aljustrel, ou mesmo com paralisação total, como em Arraiolos.

A paralisação total dos serviços de recolha do lixo em muitos concelhos durante o turno da noite manteve-se no turno da manhã, como em Almada, Grândola, Santiago do Cacém, Arraiolos, e com adesões muito expressivas, acima dos 70%, em Beja, Guimarães, Amadora ou Sintra.

Com o protesto de hoje, os trabalhadores exigem a valorização dos serviços públicos que passa também pela sua própria valorização. A coordenadora da Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública (CGTP-IN), Ana Avoila, afirmou que as negociações em torno de aumentos salariais no sector público não têm avançado por culpa do Governo.

Valorizar os trabalhadores é valorizar os serviços públicos

O secretário-geral da CGTP-IN, Arménio Carlos, que participava no piquete de greve do Arsenal do Alfeite, lembrou esta manhã que os trabalhadores da Administração Pública não têm actualizações salariais há dez anos. No entanto, sem eles «provavelmente muitos dos serviços públicos tinham colapsado».

Arménio Carlos criticou a opção do Governo de privilegiar o desvio de recursos públicos para o Novo Banco, que deve custar mais 400 milhões de euros no próximo ano. Por outro lado, o Executivo partiu para a discussão sobre aumentos salariais com uma recusa liminar, justificando-a com o habitual «não há dinheiro».

A insistência dos sindicatos e os protestos dos trabalhadores da Administração Pública já forçaram o Governo a rever a sua posição de inflexibilidade, passando a admitir uma actualização salarial que, ainda assim, aponta para valores que são considerados como insuficientes face a uma década a perder poder de compra.

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