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Dia Mundial de Solidariedade com os Imigrantes e Refugiados

CGTP-IN alerta para militarização do Mediterrâneo

A central sindical exige «soluções urgentes para o drama que vivem os milhões de imigrantes e refugiados, condição decisiva para a defesa dos direitos e aspirações de todos os trabalhadores».

Militares noruegueses participam na operação Triton (2016) da agência de fronteiras e guarda costeira da UE – Frontex
Créditos / Frontex

Em comunicado, a CGTP-IN associa-se à Federação Sindical Mundial no Dia Mundial de Solidariedade com os Imigrantes e Refugiados, na denúncia das «guerras de agressão, ingerências desestabilizações, conflitos, destruição de capacidade produtiva e infra-estruturas, pobreza extrema, desemprego e crescente precariedade laboral» – factores que levam ao «aumento do número de homens e mulheres que se vêem obrigados a deixar os seus países de origem, procurando refugio ou imigrando».

A estrutura sindical lembra os ataques à soberania de países como «o Iraque, o Afeganistão, a Síria, a Líbia, o Mali, o Iémen ou a Somália», que os transformaram «em campos de experimentação das estratégias militaristas e de imposição de domínio neocolonial». Estes ataques vieram somar milhões de homens e mulheres aos mais de 5 milhões de refugiados palestinianos e saharauis, cujas pátrias estão ocupadas por Israel e Marrocos há décadas.

A CGTP-IN denuncia «a militarização do Mediterrâneo e a resposta» ao drama dos refugiados que procuram chegar aos países da União Europeia (UE), vindos do Norte de África e do Médio Oriente, assim como o apoio «às milícias que dividem a Líbia» e o acordo com a Turquia, através do qual a UE paga milhares de milhões de euros para que este país sirva de um enorme campo de detenção para refugiados.

Estas «decisões e orientações [são] responsáveis pela perda de vidas de mais de 10 mil pessoas desde 2014, sendo que só em 2016 morreram 2856 pessoas» na travessia do Mediterrâneo, nota a central sindical. A «Europa fortaleza», «de que são exemplo a construção de vergonhosos muros, campos de detenção e missões militares no Mediterrâneo», beneficia apenas «as grandes empresas e o grande capital, e os interesses financeiros ligados ao florescente tráfico de seres humanos e a outro tipo de tráficos», prossegue o comunicado.

A CGTP-IN afirma que «o fim deste drama exige o fim das guerras de agressão contra países independentes e soberanos, a sua ocupação ou a ingerência e desestabilização», tal como o «fim da imposição de políticas de exploração, submissão e domínio económico e financeiro de países de economias frágeis e dependentes, nomeadamente pelos EUA e a UE, através de acordos ditos de livre comércio e outros acordos e tratados».

Para a Intersindical, «a paz e o desenvolvimento económico, social e humano dos países de origem deve ser a grande prioridade política de quem queira contribuir para a solução deste problema e a base de partida para a concretização do direito ao regresso – vontade expressa pela maioria dos imigrantes e refugiados».

«A CGTP-IN defende a unidade na luta pela efectivação de direitos em condições de igualdade, combatendo todas as formas de discriminação dos trabalhadores imigrantes ou refugiados, a par da sua sindicalização e envolvimento na luta, na organização dos trabalhadores, incluindo na actividade sindical, com igualdade de direitos e em deveres», conclui o comunicado.

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