|aumento dos salários

A lucrar milhões, Brisa quer aumentar salários em tostões

A Brisa, que teve um lucro de 240 800 000 de euros propôs, um aumento salarial de 2%. Esta é a empresa que se diz «familiarmente responsável», mas que quando os trabalhadores pedem vento é-lhes dada uma leve brisa. 

Os lucros do grupo Brisa atingiram os 136,1 milhões de euros em 2017, um crescimento de 48,4% face ao ano de 2016
Créditos / CGTP-IN

Está em marcha um processo negocial na Brisa entre o patronato e o CESP a fim de se alcançar um Acordo Colectivo de Trabalho. Este é pelo menos o espírito do representante dos trabalhadores, uma vez que tudo indica que o patronato está a fazer tábua rasa às justas exigências apresentadas.

As propostas dos trabalhadores não são novas e o CESP tem vindo a divulgá-las. Entre as várias reivindicações está, a título de exemplo, a actualização das carreiras. Segundo o sindicato, os trabalhadores exigem a reclassificação da categoria de «ajudantes obra civil» com mais de 5 anos na função para «oficiais de obra civil» e a reclassificação dos «operadores de patrulhamento» para «oficiais de mecânica» e, assim, uma diferença salarial de 5%. 

Acontece que o tal processo negocial está a desenvolver-se e chegou-se ao grande e real impasse: os salários. Os trabalhadores, por via do CESP, exigem 15% de aumento salarial, num mínimo de 200€ para todos, já o patronato avançou com uma proposta de aumento salarial de 2%. Importa recordar que a Brisa teve um lucro de 240 800 000 milhões de euros em 2023 e só nos primeiros seis meses do ano viu um aumento de lucros de 30%. 

O CESP relembra assim que os tais 2% de aumento «não paga o aumento dos custos com a alimentação», «não paga o aumento dos custos com a habitação», «não paga o aumento dos custos com a energia» e «não paga o aumento dos custos da saúde e ensino». Para o sindicato «é de lamentar que uma empresa que se diz “familiarmente responsável” (...) avance com uma proposta tão pouco ou nada dignificante, e tão incompatível com a melhoria das condições de vida dos trabalhadores». 

Importa recordar que a Brisa, em 2023 detinha 332 operadores de portagem, menos de metade do que tinha em 2010 e pagava apenas 811 euros de salários a quem estava em início de carreira. Se em 2023 era acima do Salário Mínimo Nacional, em 2024 é abaixo, o que obriga a que esses trabalhadores tenham visto, obrigatoriamente, um aumento de 9 euros.  
 

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