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Sindicato reprova «ameaça velada» de despedimentos na Global Media

O Sindicato dos Jornalistas condena a «ameaça velada de despedimento feita pela administração do Global Media Group», face ao «programa de rescisões por mútuo acordo» anunciado aos trabalhadores por email.

CréditosAntónio Cotrim / Agência Lusa

Num comunicado divulgado este sábado, a estrutura sindical admite que o anúncio representa «um grave e lamentável desinvestimento» nas várias empresas do grupo, em que se incluem títulos como a TSF, o Jornal de Notícias, o Diário de Notícias ou o jornal desportivo O Jogo.

«A abertura de um programa de rescisões amigáveis por mútuo acordo [...] não passa de uma ameaça velada de despedimento», que o Sindicato dos Jornalistas (SJ) considera «inaceitável e injustificável».

Na sexta-feira, num email enviado aos trabalhadores do grupo, a Global Media argumentou que a «recente conjuntura, muito agravada pelo presente período da guerra, veio agravar em muito a situação, pelo que se torna imperativa uma nova reorganização empresarial», justificando assim o seu plano para reduzir custos operacionais.

O programa destina-se aos trabalhadores das empresas Global Notícias, Rádio Notícias, Notícias Direct, Naveprinter, Açormedia ou RCA que estejam no grupo há mais de 12 meses.

«Conforme se percebe pelo documento, em caso de não adesão voluntária, os trabalhadores podem vir a ser abrangidos por "qualquer medida de reestruturação sujeita a um regime menos favorável" no futuro», avisa o SJ, acrescentando que os funcionários «ou saem agora com um bónus de 10% sobre o mínimo legal em caso de despedimento colectivo ou saem a mal depois».

O sindicato diz que «tem motivos para não acreditar na promessa da administração liderada por Marco Galinha de apenas aceder a pedidos de saída nos casos em que possam ser substituídos ou não sejam necessários», lembrando que, em 2020, aquele grupo de media já tinha realizado uma reestruturação que se traduziu no despedimento colectivo de 81 trabalhadores, entre os quais 17 jornalistas.

«A ameaça velada contida na proposta do Global Media Group representa a continuação da gestão de corte nas redacções, o que é inaceitável para o Sindicato dos Jornalistas», é referido no comunicado.

«As saídas, nos vários órgãos do grupo, nomeadamente de jornalistas com muitos anos de experiência [...] não só não foram preenchidas convenientemente como se prolongou a precarização e alastraram os baixos salários», lê-se na nota.

O SJ considera que o grupo de Marco Galinha «está a condenar à morte lenta e dolorosa na praça pública» os seus títulos, «ao continuar a optar por descartar trabalhadores, ano após ano, como se fosse possível fazer jornalismo sem jornalistas».

O sindicato lamenta ainda que a administração daquele grupo de media não tenha aceitado receber os representantes dos jornalistas e critica o ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, por «ainda não ter tido tempo» para tomar conhecimento das dificuldades que enfrenta a comunicação social no nosso país, acusando-o de, nesta matéria, estar em «lamentável alinhamento» com a sua antecessora, Graça Fonseca.


Com agência Lusa

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