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Sindicatos não dão tréguas a Macron e mantêm pressão contra a reforma das pensões

No final do 13.º dia de greves e da terceira jornada de mobilização nacional contra a reforma das pensões, a maioria dos sindicatos recusou a trégua natalícia que o governo de Macron tentou obter.

Milhares de franceses voltaram a manifestar-se contra a reforma das pensões promovida pelo governo de Macron
Créditos / VTV

Ontem à noite, a maioria dos sindicatos franceses rejeitou a possibilidade de uma «trégua» na época do Natal e do Ano Novo, que, segundo a France 24, o governo francês e a Confederação Francesa Democrática do Trabalho (CFDT, reformista) procuraram obter.

O primeiro-ministro francês, Edouard Philippe, que na Assembleia Nacional mostra determinação e firmeza para levar por diante o plano governamental – acabar com os actuais 42 regimes de pensões, criar um único e atrasar a idade para receber a reforma por inteiro –, queria que os sindicatos dialogassem com o patronato e o governo, tendo em conta esta «época especial», e fez apelos ao «sentido de responsabilidade» de cada qual, como se o governo não tivesse apresentado o projecto no passado dia 11, à beira das «festas».


Se a CFDT alinhou no espírito natalício do governo francês, os demais sindicatos nem por isso, tal como se lê num comunicado emitido pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), em que se apela à organização de greves e mobilizações, a nível local, a partir de amanhã, dia 19, e até ao fim do ano.

No documento, em que não é indicada uma nova data de mobilização nacional – como as realizadas nos dias 5 de Dezembro, 10 e ontem –, as centrais sindicais mostram-se determinadas em deitar por terra os intentos do governo, na medida em que vai ao bolso dos trabalhadores e dos pensionistas (fazendo-os trabalhar mais para receber menos), mas afirmam a disponibilidade para dialogar, desde que seja para discutir uma proposta de melhoria do actual sistema de pensões, cujo desmantelamento não admitem.

Centenas de milhares nas ruas

A decisão dos sindicatos seguiu-se a uma nova grande jornada de mobilização nacional, que, de acordo com os promotores, trouxe para as ruas do país 1,8 milhão de pessoas, 350 mil das quais se mobilizaram em Paris. Já o Ministério do Interior apontou para 615 mil manifestantes a nível nacional e 76 mil na capital, refere a France 24.

A greve voltou a ter um forte impacto nos transportes públicos, nomeadamente no sector ferroviário (circulavam poucos comboios internacionais, intercidades e regionais). Em Paris, apenas duas das 16 linhas de metro (automatizadas) funcionaram normalmente, e o serviço de autocarros também foi bastante atingido (circulavam menos de 50% das viaturas), segundo indica a Prensa Latina.

No âmbito da jornada de greve e de mobilização contra a reforma das pensões, que abrangeu igualmente o sector da Educação e da Saúde, os trabalhadores de sete de oito refinarias também declararam a sua adesão ao protesto, facto que a CGT valorizou como «um aumento notável no sector petroquímico», por comparação com outras jornadas de greve.

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