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UE prolonga sanções e Síria denuncia «hipocrisia» das políticas europeias

O governo sírio afirmou que a decisão da UE de renovar as sanções contra o país árabe revela o «amplo envolvimento da UE» na guerra de agressão e o seu «apoio ilimitado aos grupos terroristas».

Créditos / Vestnik Kavkaza

Seguindo as passadas do aliado norte-americano, a União Europeia (UE) tem imposto, ao longo dos anos, uma política de sanções e de estrangulamento económico, comercial e financeiro à Síria, que ontem decidiu prolongar por mais um ano – até 1 de Junho de 2021.

Num comunicado divulgado esta quinta-feira pela agência SANA, o Ministério sírio dos Negócios Estrangeiros afirma que as sanções constituem «uma violação flagrante das leis humanas mais básicas e do direito humanitário internacional», representando um «crime contra a humanidade».

O texto revela ainda que a decisão da UE de renovar as medidas coercitivas «não é surpreendente», sobretudo tendo em conta que a mesma é tomada logo após os Estados Unidos terem adoptado uma posição semelhante. Para o Ministério, isto mostra como a UE perdeu «a independência de resolução» e evidencia o seu «servilismo face às políticas dos EUA».

No documento, o governo da Síria sublinha que a «hipocrisia se tornou uma característica fundamental das políticas europeias» e denuncia o «amplo envolvimento da UE» na guerra de agressão ao país árabe, bem como o seu «apoio ilimitado aos grupos terroristas».

Neste sentido, acrescenta, a UE é responsável pelo «derramamento de sangue dos sírios» e pelo «sofrimento que têm de enfrentar como consequência das sanções económicas injustas» que são impostas aos país e que «dificultam os esforços para proporcionar infra-estruturas médicas necessárias para fazer frente à pandemia do nuevo coronavírus SARS-CoV-2».

Ingerência, imperialismo e mentiras

A UE e progressistas de certa estirpe costumam aludir à «repressão» da China, da Venezuela ou da Síria sobre o povo, e, humanitários que são, estão dispostos a acabar com a «repressão» que vislumbram em tais terras recorrendo a medidas coercitivas.


Ainda com base no seu fundo humanitarismo – a Casa Branca também mostra o mesmo –, costumam destacar que as sanções impostas não se dirigem ao povo nem afectam os seus serviços essenciais, são apenas contra presidentes, altos funcionários políticos, militares, empresários.

Depois, quando os grandes conglomerados da informação ao serviço do capitalismo falam em pobreza, dificuldades, refugiados, graves crises económicas e financeiras, e necessidade de ajuda humanitária em tais países, fazem-no como se isso nada tivesse a ver com as sanções e, no caso da Síria, aludem a uma guerra que dura há quase dez anos – sim, não mentem –, mas como se EUA, Reino Unido, França, Alemanha e vários outros países-membros da UE não tivessem nada a ver com o «cenário».

O que não dizem é que, perdida a vitória militar no terreno – tal como se chegou a vislumbrar no «cenário» de 2014 e 2015 –, a aliança de potências ocidentais, petro-ditaduras do Golfo, Turquia, Israel mantém a linha de ataque destinada a dividir e destruir o Estado sírio, usando outras pressões e vias.

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