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Agência da ONU para os refugiados palestinianos não consegue pagar salários

A UNRWA, criada em 1950 para apoiar os refugiados palestinianos, declarou esta quinta-feira a incapacidade para pagar aos seus 28 mil funcionários e prosseguir o trabalho solidário, e pediu ajuda.

Mulheres palestinianas participam nos protestos na fronteira a leste da Cidade de Gaza. 8 de Junho de 2018
CréditosMohammed Saber / EPA

«A Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinianos (UNRWA, na sigla em inglês) recebeu este ano o nível mais baixo de contribuições desde 2012, num momento em que as necessidades dos refugiados se vêem agravadas pelos efeitos da pandemia de coronavírus», disse ontem o comissário-geral do organismo, Philippe Lazzarini.

Numa conferência de imprensa, Lazzarini disse que a UNRWA enfrenta uma grave crise financeira e não conta, inclusive, com recursos suficientes para pagar os salários de Novembro aos seus funcionários – situação para a qual já tinha alertado no início deste mês, informa a HispanTV.

Lazzarini explicou que UNRWA depende de doações dos estados-membros da ONU, que diminuíram em função da actual situação económica mundial e do corte efectuado pela administração dos EUA – historicamente o maior financiador da agência – na sua contribuição anual, privando o organismo de um terço do seu orçamento.

«Estamos à beira do precipício, embora continue a acreditar que podemos evitar a queda, caso a solidariedade prevaleça no seio da comunidade internacional», disse o comissário-geral, que se mostrou esperançado em poder continuar a apoiar os refugiados palestinianos.

Esta agência das Nações Unidas, criada em 1950 para prestar assistência aos refugiados palestinianos na Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Síria e Líbano, garante uma ajuda fundamental – ao nível da alimentação, saúde e educação – a cerca de 5,5 milhões de refugiados, mais ainda no contexto da pandemia.

Entre as várias medidas «pró-israelitas» tomadas pela administração norte-americana de Donald Trump, contou-se a decisão de parar por completo com a ajuda financeira dos EUA à UNRWA, em 2018.

Numa declaração em que alertou para a «enorme gravidade» da situação dos refugiados, o MPPM afirmou, então, que, ao atacarem a UNRWA e pretenderem retirar a milhões de palestinianos o estatuto de refugiado, os EUA visavam «liquidar a prova viva do crime da limpeza étnica promovida por Israel», que, dessa forma, deixa de ser obrigado a garantir o «direito ao retorno», tal como está obrigado pelas resoluções da ONU.

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