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Coacção da Câmara de Almada não demoveu forte adesão à greve na limpeza

O STAL afirma que a greve de dois dias na limpeza da Câmara de Almada registou uma adesão acima dos 70%. Executivo PS/PSD é acusado de ter tentado obrigar um trabalhador a laborar após o pai ter falecido.

Piquete de greve nos estaleiros municipais de Vale Figueira Parque, na Sobreda, Almada, 13 de Junho de 2019
Créditos / STAL Almada

A greve de dois dias dos trabalhadores da varredura, brigada de apoio e recolha urbana do lixo do Munícipio de Almada terminou hoje, tendo ficada marcada, de acordo com as estruturas sindicais, por vários episódios de «prepotência».

Em nota de imprensa, a União dos Sindicatos de Setúbal (USS/CGTP-IN) acusa o Executivo liderado pela presidente Inês de Medeiros (PS) de ter dado indicações para «pressionar não só os trabalhadores da Câmara, como os trabalhadores que estão em regime de prestação de serviço, para irem além dos serviços mínimos estipulados».

 

A estrutura sindical sublinha que as intenções abusivas do Executivo foram travadas pelo piquete de greve, que «impôs o cumprimento dos serviços mínimos, impedindo a saída da quinta viatura de recolha de resíduos», bem como conseguiu a dispensa de um trabalhador, que «desumanamente tinha sido "obrigado" a trabalhar quando o seu pai havia falecido».

 

Em declarações ao AbrilAbril, Pedro Rebelo, dirigente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local e Regional (STAL/CGTP-IN) confirmou a situação, explicando que esta ocorreu na primeira noite da greve e que «o homem estava de lágrimas nos olhos a caírem».

 

«Toda esta situação revela por parte do Executivo não só uma enorme falta de respeito, como uma dificuldade enorme em respeitar as regras da democracia e da Constituição da República e uma inabilidade enorme em respeitar a liberdade e os direitos de quem trabalha», acrescentou.

 

GNR chamada para intervir junto do piquete de greve

 

Pedro Rebelo destacou também que houve uma outra ocorrência, em que «o piquete de greve resistiu sobre algo que é inaceitável, no que toca aos serviços mínimos estipulados», nomeadamente o entendimento da Câmara de que «todos os trabalhadores» indicados para os mesmos tinham que trabalhar, apesar de terem disponíveis funcionários que não aderiram à greve para assegurar o serviço.

 

«Chamaram a GNR aos estaleiros, após termos parado o camião para falar com os trabalhadores, e o que aconteceu foi que a GNR optou por não intervir. Reconheceu a razão ao STAL, no que respeita à coacção de trabalhadores e ao desempenho do piquete de greve no contacto e esclarecimento com os trabalhadores», disse.

 

 

Segundo Pedro Rebelo, tais episódios não impediram que a greve demonstrasse «o enorme descontentamento» dos trabalhadores perante os horários desregulados que o Executivo da Câmara de Almada impôs, traduzido numa elevada adesão, depois de contabilizados os serviços mínimos.

 

«Apesar de todo este contexto adverso, a adesão na recolha urbana foi de 100% no turno da noite e 75% durante o dia. Na varredura rondou os 70%, mesmo com esta tentativa brutal de condicionamento de exercício de direitos, que teve uma resposta à altura por parte dos trabalhadores», frisou.

 

Nesse sentido, o dirigente do STAL lançou o desafio ao Executivo da Câmara de Almada se, «perante esta resposta dos trabalhadores, estão disponíveis para uma solução que passe pelo reforço de meios humanos e técnicos, melhorando o serviço, em vez de insistirem na desregulação dos horários e na adaptabilidade».

 

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