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Cimeira franco-alemã chama a si decisões sobre futuro da UE

Macron e Merkel saíram da cimeira franco-alemã desta terça-feira com o roteiro para o Conselho Europeu do fim deste mês traçado: reforçar a moeda única como constrangimento à soberania dos estados.

A chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Emmanuel Macron, após a conferência de imprensa em que apresentaram as conclusões da cimeira entre os dois países, em Meseberg (Berlim), Alemanha. 19 de Junho de 2018
CréditosFilip Singer / EPA

O presidente francês e a chanceler alemã chegaram hoje a acordo sobre a proposta que as duas potências centrais vão levar à cimeira dos chefes de Estado e de governo da União Europeia, a 28 e 29 de Junho, num encontro no castelo de Meseberg, a norte de Berlim.

De acordo com a Deutsche Welle (DW), o entendimento franco-alemã reduz-se a dois temas: a chamada reforma da União Económica e Monetária, e o reacendimento mediático da crise humanitária que se vive no Mediterrâneo.

Quanto à primeira, Emmanuel Macron escreveu no twitter que «nunca foi possível um acordo franco-alemão sobre a zona euro. Hoje, a França e a Alemanha dizem em conjunto: é preciso um orçamento para a zona euro!».

Segundo a estação germânica, a proposta passa pela criação de um orçamento paralelo ao da União Europeia (UE), mas apenas para os países da moeda única, a entrar em vigor a partir de 2021 e dirigido ao «investimento e convergência económica» entre os 19 estados-membros. No entanto, não é especificado de que forma será financiado mais este instrumento que, a ser concretizado, poderá representar um salto na capacidade das instituições da UE condicionarem a soberania orçamental e de política económica de cada país.

Sobre a crise migratória, que recuperou relevo mediático nos últimos dias e que está a provocar dificuldades internas no seio da coligação de governo na Alemanha, Angela Merkel defendeu que é preciso reforçar a agência europeia para as fronteiras externas (Frontex) e reduzir o fluxo de migrantes que entra no espaço da UE. Recorde-se que este fluxo resulta, essencialmente, das populações que fogem de países fustigados por guerras de agressão promovidas por potências ocidentais, com os EUA à cabeça, mas também com destacada participação francesa, como na Líbia e na Síria.

A DW refere ainda que ambos os líderes defenderam a redução do número de comissários europeus, que actualmente corresponde ao número de estados-membros – uma medida que deixaria países como Portugal em risco de perder representação num dos principais organismos da UE.

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