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Autoridade Palestiniana condena Israel pela demolição de mais uma escola

Forças israelitas demoliram, esta semana, uma escola primária no distrito Hebron (Margem Ocidental ocupada), deixando 43 crianças palestinianas sem local para aprender.

Crianças palestinianas têm aulas ao ar livre, depois de Israel ter destruído uma escola na Margem Ocidental ocupada (imagem de arquivo)
Créditos / Sputnik News

Em comunicado, o Ministério palestiniano da Educação condenou a destruição da escola, levada a cabo no princípio da semana, classificando-a como «um novo crime contra instituições educativas» e «um ataque ao direito dos estudantes e das crianças a um ambiente educativo seguro e estável», revela a agência Ma'an. «Será que esta escola, construída numa área remota, representava uma ameaça para Israel?», questiona o Ministério.

Testemunhas disseram à Ma'an que as forças israelitas invadiram a pequena comunidade beduína de Zanouta, na região de Hebron (Sul da Cisjordânia), e destruíram a escola, que tinha sido construída com blocos de cimento e placas de zinco.

Inaugurada a 26 de Março de último, a escola foi construída juntamente com outras seis naquela zona, com o objectivo de possibilitar o acesso à educação a crianças de «comunidades vulneráveis».

A estrutura demolida possuía seis salas de aula e servia 43 crianças em idade escolar, incluindo as dez que frequentavam o jardim de infância. Apesar da demolição, no dia seguinte as crianças apareceram no local da escola, mesmo com chuva e frio, assistindo às aulas que os seus professores deram no chão da estrutura demolida.

Mais 37 escolas na lista

De acordo com um relatório emitido em Fevereiro pelo Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (UNOCHA, na sigla em inglês), há 37 escolas com ordens de demolição pendentes na Área C da Cisjordânia, que se encontra sob controlo civil e militar dos ocupantes israelitas.

Por seu lado, o Ministério palestiniano da Educação publicou em Março o seu relatório anual relativo a 2017, no qual se registam os ataques do governo israelita ao sistema educativo palestiniano. De acordo com o documento, citado pela Ma'an, 80 279 crianças e 4929 professores e membros do pessoal auxiliar foram «alvo de ataques» por parte de colonos ou soldados israelitas.

Política de anexação

A área C, que constitui 60% da Cisjordânia ocupada, juntamente com Jerusalém Oriental, tem sido palco de uma rápida expansão dos colonatos israelitas, em violação do direito internacional. Israel prossegue uma política que visa dificultar e restringir a vida das comunidades palestinianas nesta área da Cisjordânia, tendo como objectivo a sua expulsão e a sua substituição por comunidades judaicas israelitas, até concretizar a anexação desse território palestiniano.

Num comunicado emitido em Fevereiro deste ano, o Centro de Informação Israelita para os Direitos Humanos nos Territórios Ocupados, B'Tselem, denunciou a política de expulsão das comunidades palestinianas da Área C, em que as demolições se integram.

Desde que o B’Tselem começou a registar as demolições de casas palestinianas por Israel, 2016 afigura-se como o ano com maior número de ocorrências: nesse ano, as forças israelitas demoliram 274 casas na Margem Ocidental ocupada (não contando com Jerusalém Oriental), deixando 1134 palestinianos sem casa e superando o número de demolições levadas a efeito nos anos de 2015 e 2014, juntos.

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