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Rússia vetou resolução «distorcida» sobre armas químicas na Síria

A Rússia usou o seu poder de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas, esta quinta-feira, para bloquear uma resolução proposta pelos EUA que visava prolongar as investigações «distorcidas» e «desequilibradas» sobre ataques com armas químicas na Síria.

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Créditos / theduran.com

À Rússia, que tem poder de veto enquanto membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU), associou-se a Bolívia no voto contrário à resolução norte-americana. China e Egipto abstiveram-se, enquanto 11 países-membros votaram favoravelmente.

Antes da votação, o representante russo junto das Nações Unidas, Vassily Nebenzia, mostrou-se favorável ao prolongamento do mandato do Mecanismo Conjunto de Investigação das Nações Unidas e da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ), que expirava ontem à meia-noite, mas sublinhou que a resolução norte-americana devia abordar, primeiro, «os erros sistemáticos» que afectam o trabalho da actual equipa de investigação.

Para os russos, a resolução apresentada por Washington com vista ao prosseguimento das investigações sobre a utilização de armas químicas na Síria – incluindo o incidente registado em Abril em Khan Shaykhun – é «distorcida» e «desequilibrada», na medida em que os EUA partem do princípio de que o governo de Damasco é o responsável, sem apresentar provas e sem que a equipa de investigação do Mecanismo Conjunto alguma vez tenha estado no terreno.

Proposta russa

A Rússia também apresentou uma proposta, tendo como objectivo «não apenas prolongar as investigações, mas também melhorá-las qualitativamente», mas decidiu retirá-la pouco antes da votação da proposta norte-americana, informa a RT. No entanto, a resolução russa acabaria por ser votada, por solicitação da Bolívia, tendo sido rejeitada com quatro votos a favor, quatro abstenções e os votos contra de EUA, França, Itália, Reino Unido, Suécia, Ucrânia e Uruguai.

Na sequência do veto russo à proposta norte-americana, a representante dos EUA junto das Nações Unidas, Nikki Haley, dirigiu fortes críticas a Moscovo, acusando os russos de «matarem» uma resolução que tinha reunido o apoio da maioria dos membros do CSNU e de «minarem» a capacidade das Nações Unidas de impedir ataques químicos na Síria.

Críticas reiteradas da Rússia

A Rússia tem criticado reiteradamente a investigação «enviesada» do Mecanismo Conjunto da OPAQ na Síria. Há uma semana, o representante russo neste organismo, Aleksandr Shulgin, disse à RT que, relativamente ao ataque ocorrido em Abril deste ano em Khan Shaykhun, as investigações visam culpar o governo de al-Assad, não cumprem «regras básicas» e põem de lado informação que nega o envolvimento de Damasco.

A 4 de Abril de 2017, dezenas de pessoas foram mortas na sequência de um ataque com armas químicas na cidade síria de Khan Shaykhun, na província de Idlib. Sem qualquer prova, a coligação internacional liderada pelos EUA acusou de imediato o governo sírio de ser responsável e, três dias depois, lançou um ataque com mísseis contra a base de Shayrat, alegando que o ataque químico partira dali.

A Rússia tem questionado os métodos de investigação da OPAQ, acusando-a de se centrar em testemunhas anónimas em vez de investigar no terreno, e alertou, desde o início, para a possibilidade de o incidente em Khan Shaykhun ser resultado de uma explosão de um armazém com armas químicas – numa região controlada pelos chamados «rebeldes» – ou uma operação de falsa bandeira levada a cabo precisamente por esses rebeldes.

Por seu lado, as autoridades sírias têm sublinhado, em diversas ocasiões, que entregaram e destruíram todo o seu arsenal químico, numa operação que foi supervisionada pela OPAQ.

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