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Groundforce cada vez mais alienada

Depois da Globalia, depois do consórcio do Banco Invest, BIG e Banif e depois da Pasogal, a Autoridade da Concorrência aprova a compra de 50,1% da Groundforce pela Menzies Aviation do grupo Agility do Kuwait.

CréditosJosé Sena Goulão / Lusa

Só faltava formalizar e eis que a Autoridade da Concorrência o fez. A Menzies Aviation do grupo Agility originário do Kuwait poderá mesmo ficar com 50,1% da Groundforce, o que continua o rumo seguido (embora pouco acertado) que começou a ser trilhado em 2003. 

A história da Groudforce, criada após a separação da TAP por diretivas europeias, coloca o serviço de handling nas mãos dos privados. Uma acção que visou mais uma vez beneficiar o capital privado, mas que nunca trouxe estabilidade à empresa. A Globalia abriu uma guerra com o Estado português para esconder a sua incapacidade e a Pasogal nunca teve condições para gerir a empresas. Os penalizados foram sempre os mesmos: os trabalhadores e o país, 

Se a história que começa como uma tragédia e depois repetiu-se uma como farsa terá agora novo capítulo ainda por adjectivar. Se a venda de 50,1% da empresa foi primeiro para capital espanhol, e depois voltou a capital português, a terceira vez que será entregue a uma única empresa será para capital originário do Kuwait.  

A SPdH que realiza serviços de handling nos aeroportos de Lisboa, Porto, Funchal, Faro e Porto com a marca Groundforce terá mesmo um novo dono. O aval é então da Autoridade da Concorrência que em comunicado anuncia que «em 15 de Junho de 2023, o conselho de administração da Autoridade da Concorrência [...] delibera adotar uma decisão de não oposição à operação de concentração, [...] uma vez que a mesma não é suscetível de criar entraves significativos à concorrência efetiva no mercado nacional ou em parte substancial deste».

O que está em causa não são os interesses nacionais, nem uma estratégia coerente para a aviação nacional, mas sim a avaliação dos impactos da operação no que toca à concorrência.A Menzies Aviation fica assim com a maioria de uma empresa que estava já a ser gerida por administradores de insolvência e que segundo o jornal Público contabiliza 2664 credores com um valor total reclamado de 136,2 milhões de euros, e conta 3300 trabalhadores. 
A Pasogal acabou por revelar toda a natureza de uma gestão privada. Ao não apresentar garantias e ao ficar à espera que o Estado pudesse injectar liquidez na empresa, os trabalhadores acabaram por ficar com salários em atraso e nesse sentido a Goroundforce foi declarada insolvente pelo Tribunal da Comarca de Lisboa,

Esta nova compra dos tais 50,1% poderá ser um primeiro passo para a alienação completa da Groundforce já que a contrapartida definida pela Comissão Europeia para aprovar o plano de reestruturação da TAP seria que esta teria que vender a sua participação na Groundforce. Assim sendo, e estando tudo alinhado, resta saber se o grupo Agility ficará a controlar toda empresa e o Estado, mais uma vez, por via da TAP, perderá mais uma empresa estratégica. 
 

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