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Movimento lança petição para defender promontório da Nazaré

O Movimento Cívico pela Defesa do Promontório da Nazaré denuncia que o projecto de intervenção não foi apresentado à população e pode pôr em risco um património «material e imaterial de imenso valor». 

Créditos / Jornal de Leiria

Foi na passada sexta-feira que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) garantiu que a obra de estabilização das arribas da Nazaré, que prevê intervenções no emblemático Bico da Memória, ligado à lenda do Milagre da Nazaré e uma das imagens de marca deste local, tinha sido aprovada pela Direcção-Geral do Património Cultural.

Num comunicado enviado hoje à redacção do AbrilAbril, o Movimento Cívico pela Defesa do Promontório da Nazaré defende que existe «uma clara necessidade de esclarecimento à população e aos especialistas», por parte da APA e da Câmara Municipal da Nazaré, «para que todos possam entender de facto o que leva aquela entidade a pensar fazer agora uma tão grande alteração ao que existe ali há séculos». Mas também, acrescenta, para entender «o que diz a Câmara Municipal sobre as obras contratadas pela APA, que não são da sua responsabilidade, mas por si aceites sem contestação».  

No seguimento da deliberação aprovada num plenário popular realizado este domingo, o movimento solicitou reuniões com a autarquia e com a APA, com carácter de urgência. Entre as críticas apontadas à intervenção nas arribas do Promontório da Nazaré está o facto de ter sido «apanhado de surpresa». «Verificámos, nos poucos documentos disponíveis ao público sobre tal projecto, que haverá, entre as demais, uma profunda intervenção na zona de protecção do imóvel classificado da Ermida da Memória e no Bico da Memória, que, além de outras, leva à retirada dos seculares muros vernaculares de protecção, para os substituir por estrutura de metal, colocando-se ainda uma estrutura elevada no solo, feita também em metal», refere-se na nota. 

O arranque da obra está previsto para o dia 10 de Abril. Uma vez tratar-se do Sítio do Milagre de Nossa Senhora da Nazaré, o movimento entende que, «até haver uma cabal e completa informação e esclarecimentos a prestar por parte da APA à população e aos organismos locais com responsabilidades pelo local, não deve ser ali executada qualquer intervenção que descaracterize, ou coloque mesmo em risco, aquela secular imagem de marca da Nazaré». 

Na noite de 15 de Março foi posta em marcha uma petição online que conta, até ao momento, com cerca de 2100 assinaturas. A par desta, no passado sábado foi iniciada a recolha de assinaturas manuais, reunindo já, segundo o movimento, cerca de 1000 válidas.

O movimento realça que as próximas acções vão depender da rapidez da APA e da Câmara da Nazaré ao pedido de marcação de reunião, e dos esclarecimentos que forem apresentados.

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