Depois da electrificação da linha, o eixo Lisboa-Évora ficou sem as locomotivas e carruagens dos Intercidades e voltou a receber as velhas automotoras da série UTE2240, produzidas pela extinta Sorefame.
Fonte oficial da CP explicou o sucedido com um «acréscimo extraordinário da procura» nesta altura do ano, justificada pelo feriado 10 de Junho, pelas festas do Santo António, em Lisboa, e pelo festival Nos Primavera Sound, no Porto.
Para além de serem menos confortáveis, as UTE são mais lentas, marcando como velocidade máxima 120 km/hora, em vez dos 200 km/hora atingidos pelos Intercidades.
Construídas na ex-Sorefame, na década de 70, estas automoras cumpriam os serviços urbanos de Lisboa e do Porto. Há 15 anos foram alvo de um processo de modernização para poderem assegurar ligações regionais.
Indignado com a opção de pôr a circular automotoras com a linha electrificada, Carlos Pinto de Sá, presidente da Câmara Municipal de Évora, afirma que a ligação à capital vinha registando um aumento da procura e esta substituição pode deitar tudo a perder.
Segundo fonte da CP, a empresa enfrenta dificuldades financeiras e apresenta uma frota a diesel envelhecida. A situação decorre do desinvestimento e da pulverização da CP, promovida pelo último governo do PSD e do CDS, tendo em vista a sua privatização.
Desde logo, a separação entre a gestão da infraestrutura e a exploração de serviços de transporte. A empresa retalhada viu-se a braços com custos acrescidos que a integração evitava. No fim, degradou-se a qualidade do serviço público mas também os direitos dos trabalhadores.
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