Um milhão de brasileiros nas ruas contra a Reforma da Previdência

A elevada adesão ao Dia Nacional de Paralisação e Mobilização contra a Reforma da Previdência foi referida pela Frente Brasil Popular, para quem o recado está dado: o povo brasileiro vai defender os seus direitos face aos ataques do governo golpista.

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Centenas de milhares de pessoas juntaram-se na Avenida Paulista, em São Paulo, em protesto contra a Reforma da Previdência
Centenas de milhares de pessoas juntaram-se na Avenida Paulista, em São Paulo, em protesto contra a Reforma da PrevidênciaCréditos / MTST

As acções de protesto contra a Reforma da Previdência mobilizaram, ontem, mais de um milhão de pessoas em todo o Brasil, por iniciativa da Frente Brasil Popular, da Frente Povo Sem Medo e de várias organizações sindicais.

Trabalhadores da Educação, metalúrgicos, trabalhadores agrícolas, funcionários públicos, bancários, trabalhadores dos transportes, entre outros, estiveram em greve e participaram em manifestações e concentrações de repúdio contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287/2016, que altera as regras para aceder a reformas e pensões.

Uma das principais alterações instituídas pela PEC 287, apresentada no Congresso pelo governo de Michel Temer, diz respeito à idade mínima para se aceder à reforma, que passa a ser 65 anos para homens e mulheres, exigindo ainda que os trabalhadores tenham uma carreira contributiva de 49 anos para poderem receber a pensão por inteiro.

Um mar de gente na Paulista

Em São Paulo, cerca de 300 mil pessoas juntaram-se na Avenida Paulista, gritando «Fora, Temer» e exigindo que a PEC 287 não seja implementada. Ali, a professora Tânia Vendrasco defendeu que os professores são especialmente prejudicados por esta reforma, que pode funcionar como mais um elemento para impedir que os jovens ingressem na carreira.

Actualmente, os professores podem reformar-se com 25 (mulheres) ou 30 anos (homens) de contribuição. «Sofremos muito estresse em sala de aula. Temos de aguentar a falta de estrutura, elevado número de alunos, ameaças, problemas de violência dentro e fora da escola. A aposentadoria especial é uma forma de reconhecer essa situação. Hoje, já não há estímulo para sermos professores. A reforma piora isso», declarou ao Portal Vermelho.

Por seu lado, a presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Juvandia Moreira, salientou o facto de que, com a mera divulgação da proposta da reforma, os planos de previdência privada dos bancos passaram a ser «super valorizados». Em seu entender, «essa reforma só beneficia os banqueiros. Ela prejudica em especial as mulheres, que ganham até 30% menos que os homens e cumprem dupla jornada. Se igualar a idade mínima, elas serão as mais prejudicadas. A Previdência é do povo. Esse governo golpista não pode acabar com ela», afirmou.

Por todo o Brasil

Nos portais da Frente Brasil Popular e Brasil de Fato é possível aceder, com detalhe, ao número de participantes nas muitas mobilizações que tiveram lugar pelo Brasil afora, do Acre ao Rio Grande do Sul.

Se o repúdio pela Reforma da Previdência ficou patente na Avenida Paulista, outras grandes mobilizações, noutros estados brasileiros, deram igualmente nota do protesto e da defesa dos direitos, nomeadamente em Belo Horizonte (Minas Gerais), onde se manifestaram cerca de 150 mil pessoas, no Rio de Janeiro (100 mil), em Curitiba (Paraná; 60 mil), em Fortaleza (Ceará; 50 mil), no Recife (Pernambuco; 40 mil), em Goiânia (Goiás; 25 mil), em Brasília (20 mil) e Natal (Rio Grande do Norte; 20 mil).

Sublinhando a dimensão destas acções, a Frente Brasil Popular também se refere à sua «nova feição», na medida em que «contaram com a unidade das centrais sindicais e a adesão de diversas categorias de trabalhadores, além do apoio da população em geral, nos quatro cantos do Brasil».

Com o «grito das mulheres dizendo "Aposentadoria fica, Teme Sai"», as manifestações desta quarta-feira demonstraram que o povo brasileiro está disposto a defender «os seus direitos com unhas e dentes» e que «não é um presidente sem voto e golpista que vai destruir a Consolidação das Leis do Trabalho e as conquistas históricas garantidas depois de muita luta, suor e sangue», salienta.

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