«Falha o autocarro, falha o metro, falha o horário»

O Grupo de Utentes dos Transportes Públicos do Grande Porto realizou ontem uma concentração na Trindade, em protesto contra a falta de condições e qualidade dos transportes colectivos do distrito.

http://www.abrilabril.pt/sites/default/files/styles/jumbo1200x630/public/assets/img/utentes_porto_accao_doa_10.jpg?itok=lMMZvApW
Utentes do Porto manifestam-se pela qualidade dos transportes públicos
Utentes do Porto manifestam-se pela qualidade dos transportes públicosCréditos / Grupo de Utentes dos Transportes Públicos do Grande Porto

Segundo o Grupo de Utentes dos Transportes Públicos do Grande Porto este foi o «primeiro passo em 2017 na denúncia dos diversos problemas que têm afectado a vida dos utilizadores da CP, STCP e Metro». Os utentes afirmaram junto à estação de metro da Trindade que «o serviço de transportes 'tá precário. Falha o autocarro, falha o metro, falha o horário».

Num comunicado, o grupo de utentes lembra que nos últimos anos, «fruto das opções políticas dos sucessivos governos, o serviço tem piorado drasticamente», com menos transportes, maiores tempos de espera e aumento dos preços.

Os utentes apresentam vários exemplos das consequências desta situação: a espera de 30 minutos na paragem pelo autocarro; andar sempre de pé e apertado; ou pagar mais por piores serviços de transporte, com menos linhas, menos autocarros, menos carruagens de metro e de comboio.

Evolução dos preços da rede Andante, divulgado pelo Grupo de Utentes dos Transportes Públicos do Grande Porto

Os manifestantes denunciam ainda os aumentos de preços, que foram noticiados como sendo de 1,5%, mas que em alguns casos chegam aos 5%. Lembram que os aumentos são superiores à inflação prevista e que «há que ter em conta que a maior parte dos trabalhadores não tem aumentos há muitos anos e há cada vez mais a ganhar o salário mínimo nacional».

Em declarações à imprensa, Maria João Antunes, representante do Grupo de Utentes dos Transportes Públicos do Grande Porto, afirmou que é «urgente» haver um maior investimento neste sector que, actualmente, atravessa um «decréscimo de condições e qualidade».

Maria João Antunes informou que «com regularidade» são recebidas queixas dos utentes relacionadas com a falta de manutenção dos autocarros, o tempo de espera, a supressão de linhas e o aumento dos preços.

Foi também transmitida preocupação quanto à entrega da gestão da Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP) a seis municípios da Área Metropolitana do Porto (AMP). «Tenho dificuldades em perceber como é que algumas autarquias que estão endividadas vão investir e recuperar serviços que foram cortados», questionou a representante dos utentes.

O grupo de utentes informou que em Fevereiro vai realizar um debate aberto a toda a população para discutir estas questões.

0 Comentários

no artigo "«Falha o autocarro, falha o metro, falha o horário»