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«Terrorista do helicóptero» reaparece em Caracas

Óscar Pérez, que a 27 de Junho usou um helicóptero roubado para atacar o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) e o Ministério do Interior, na capital venezuelana, reapareceu esta quinta-feira à noite numa mobilização organizada pela oposição e apelou à «hora zero».

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Óscar Pérez a ser entrevistado pela TVE, antes de desaparecer numa moto
Óscar Pérez a ser entrevistado pela TVE, antes de desaparecer numa motoCréditos / Alba Ciudad

A 27 de Junho último, Óscar Alberto Pérez roubou um helicóptero na base aérea Generalíssimo Francisco de Miranda, em La Carlota, Caracas, e, depois de sobrevoar parte da cidade, lançou quatro granadas contra o STJ e efectuou 15 disparos contra o Ministério do Interior, segundo divulgaram as autoridades venezuelanas.

Posteriormente, soube-se que Pérez, que enfrenta um mandado de captura a nível internacional, entrara em contacto, antes do ataque, com o governo do estado de Miranda, liderado pelo opositor Henriques Capriles.

Foi precisamente no estado de Miranda, na zona oriental da área metropolitana de Caracas, bastião da oposição violenta venezuelana, que Pérez apareceu ontem à noite, integrado numa manifestação convocada pela Mesa da Unidade Nacional (MUD), informa a Alba Ciudad.

Rodeado por um grupo de pessoas encapuzadas, Pérez falou para a comunicação social, pedindo que seja dada continuidade ao plano da «hora zero» e afirmando que «a consulta popular será realizada com dignidade», referindo-se ao plebiscito ilegal que a oposição vai realizar no próximo domingo. Fez ainda um apelo à resistência a nível nacional e desapareceu rapidamente numa moto.

Os termos em que o «terrorista Pérez» falou coincidem com o plano apresentado dia 5 de Julho, em Miami, pelo deputado Juan Requesens, do partido Primero Justicia. Uma vez realizado o plebiscito ilegal, a oposição pretende declarar aquilo a que chama a «hora zero», para parar o país e instaurar uma clima de ingovernabilidade que impeça as eleições de 30 de Julho para a Assembleia Nacional Constituinte.

De acordo com o Alba Ciudad, ontem, tanto apoiantes da oposição como alguma imprensa aclamaram a figura de Pérez como «herói», não repetindo as acusações que lançaram a 27 de Junho. Então, insinuaram que Pérez era um «actor» contratado pelo governo de Maduro e menosprezaram o ataque a edifícios onde se encontravam centenas de pessoas.

Também ontem, a imprensa venezuelana divulgou a detenção, no estado de Carabobo, de Carlos Graffe, representante do partido de direita Voluntad Popular, por posse de material explosivo de alta potência. A detenção ocorre num contexto marcado pelos protestos violentos fomentados pela oposição venezuelana, que, desde Abril, já provocaram 110 mortes, segundo refere o Alba Ciudad.

Solidariedade com a Venezuela Bolivariana

Numa nota divulgada pelo gabinete de imprensa, o PCP associa-se à Jornada Internacional de Solidariedade com a Revolução Bolivariana, que hoje decorre, e «denuncia a escalada de ingerência externa e a ameaça de imposição de novas sanções e medidas de autêntica guerra económica, nomeadamente por parte dos EUA».

A realização do «plebiscito», este domingo, «à margem e em desrespeito pela Constituição da Venezuela, constitui uma autêntica farsa provocatória que pretende antecipar e atingir a realização das eleições para a Assembleia Nacional Constituinte», convocada para 30 de Julho, defendem os comunistas.

O «eventual sucesso do plano golpista em curso acarretaria gravíssimas consequências para os trabalhadores e o povo venezuelanos – assim como para os emigrantes portugueses na Venezuela – e significaria a concretização dos propósitos do imperialismo e das transnacionais de restaurar a via para o saque dos importantes recursos naturais da Venezuela», sublinha o PCP.

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