A quem mais aproveitam eles?... Quem mais deles se aproveita?...

Incêndios Florestais

Neste ano de 2017, a experiência «trágico-incendiária» voltou a ser feita e até bateu vários «recordes mundiais», e não falamos apenas da tragédia de Pedrógão Grande…

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CréditosPaulo Novais / Agência Lusa

Tal como outros, nós temos sido daqueles que mais têm falado sobre Incêndios Florestais. Sim, neste caso, mais vale falar sobre Incêndios Florestais do que enfrentá-los – vamos dizer ao contrário do famoso verso camoniano – «mais vale julgá-los que experimentá-los»… Mas como a situação continua «quente», voltemos ao assunto.

Os Incêndios Florestais são muito extensos e violentos. Porquê? Já dissemos, mas vamos repetir também porque «muita gente» faz de conta que não sabe:

– Porque não há Agricultura Familiar, como antes havia, a colocar «travões» naturais à propagação dos Incêndios e também não há (muitas) Pessoas nas Povoações. Ora, isto acontece em consequência directa da ruína de centenas de milhar de pequenas e médias Explorações Agrícolas Familiares muito devido às sucessivas e más versões desta PAC – Política Agrícola Comum, e devido às ainda piores «traduções para Português» da mesma PAC feitas por sucessivos Governos ao longo já de mais de 31 anos seguidos.

Portanto, é necessária outra PAC e necessárias são outras políticas agrícolas nacionais.

– Porque, ao longo já de 30 anos, se tem mantido muito baixo o Preço da Madeira na Produção – na Mata ou à entrada das Fábricas de transformação – o que é um factor estruturante da Floresta Nacional completamente «ignorado» pelos mesmos e sucessivos Governos e pela larga maioria dos «opinantes» sobre Incêndios Florestais.

Portanto, é necessário fazer aumentar os Preços da Madeira na Produção.

– Porque se tem reduzido muito o plantio e a utilização, organizados, da Floresta Multifuncional (e «multiusos»), para privilegiar a tal Floresta industrial e intensiva à base de espécies de crescimento rápido.

Este ano de 2017, a experiência «trágico-incendiária» voltou a ser feita e até bateu vários «recordes mundiais». e não falamos apenas da tragédia de Pedrógão Grande…

Atente-se, sobretudo, em que, enquanto este ano baixou a média de ocorrências comparativamente com a média dos últimos dez anos, mais do que duplicou a média (anual) da área ardida nesse mesmo período. Ou seja, e na linha do que já o ano passado se verificou, os Incêndios Florestais têm aumentado de extensão e violência apesar de também terem aumentado os meios de combate directo envolvidos.

Portanto, é necessário valorizar e incrementar a Floresta Multifuncional.

– Porque a Prevenção de Incêndios Florestais tem sido um arremedo de Prevenção, o que, junto com o mau Ordenamento Florestal (im)plantado no terreno, constitui já um autêntico «crime incendiário».

Aqui, convém recordar que o anterior Governo PSD e CDS/PP – com Passos Coelho, Portas e Assunção Cristas – «desviaram» mais de 150 milhões de euros (do Orçamento de Estado nacional) em investimentos previstos, de início, para várias das Medidas para a Floresta do anterior PRODER (2007 – 2014), inclusivamente «secaram» verbas para algumas das Medidas desse PRODER para Prevenção de Incêndios Florestais…

Portanto, é necessário dar toda a prioridade à Prevenção de Incêndios o que também implica o reforço dos Orçamentos de Estado para o efeito.

– Porque, enquanto isso, a grande Indústria das Fileiras Florestais tem imposto,  impunemente, uma verdadeira «ditadura» para atingir os seus maiores objectivos estratégicos de entre os quais o de garantir (para si) o abastecimento de matéria-prima (materiais lenhosos e também cortiça) ao mais baixo preço possível.

Para isso, também «impôs», impunemente, um tipo de Ordenamento Florestal – ou a falta de um verdadeiro Ordenamento Florestal – em que predomina, e esmagadoramente, o plantio intensivo e «industrial» de espécies arbóreas altamente comburentes – sobretudo de Eucalipto e ainda de Pinho – com as respectivas copas «coladas» umas às outras e «prontinhas para arder» com a maior violência, e de fazer propagar/projectar os Incêndios à velocidade do vento que sopre, logo que se proporcionem as condições climatéricas mais propícias com calor, secura e ventos…

Mas, hoje em dia, se forem «espertas» como aparentam, as Celuloses (por exemplo) também devem estar interessadas em mudar algo de importante em termos do seu comando estratégico sobre este tipo de plantios super-intensivos e em contínuo no terreno… Pois que pensem melhor nisto em vez de continuarem a fazer chantagem sobre os Produtores Florestais e sobre o País…

É que, além do mais, um Incêndio Florestal violento, quando se propaga tocado a ventos, também segue a arder pelas copas e também não poupa as matas da grande Indústria das Fileiras. Nos últimos anos, e neste em especial, os maiores e mais violentos Incêndios deram-se em densos Eucaliptais industriais, alguns deles por áreas de duas e até três dezenas de milhar de hectares seguidos!

E troncos importados do estrangeiro serão, sempre, mais caros que os por cá produzidos (até por causa dos transportes)… Pois então, que a grande Indústria das Fileiras também suba o preço que paga à nossa Produção de Madeira (para rolaria e não só).

Portanto, é necessário definir e aplicar no terreno um correcto Ordenamento Florestal que, designadamente, impeça o plantio – intensivo e em contínuo por milhares de hectares seguidos – de vastas áreas com árvores de crescimento rápido, com destaque para o Eucalipto Industrial.

– Porque se formos ver os estaleiros de recolha de Madeiras das principais Indústrias de Transformação, aí encontraremos os indícios – «montanhas» de troncos chamuscados – mais evidentes para se ver melhor quem fica em situação de mais lucrar com esses troncos, logo, de tirar lucro das consequências mais directas dos Incêndios Florestais.

E se formos a Matas ardidas, também poderemos ver onde e ao serviço de quem lá andam a trabalhar, «intensivamente», as máquinas de descascar os troncos/rolos chamuscados… E, podem crer, eu próprio já fiz essa experiência «visual» indo, de propósito, observar os estaleiros de uma grande Indústria de aglomerados e de outra de pellets (zona Centro). E também falei com um «madeireiro» (intermediário) que gastou, precisamente, uma máquina de descascar troncos/rolos chamuscados, (não este ano) ao serviço de uma empresa de Celulose…

Portanto, é necessário que o Estado/Governo (e também as Autarquias) criem e dirijam muitos «Parques de Recepção e de Comercialização de Madeiras 'salvadas' dos Incêndios».

– Porque não tem havido coragem ou vontade – políticas – por parte de sucessivos Governos e respectivos partidos, para enfrentar, a sério, os maiores problemas da Floresta Nacional. No contexto, quem mais tem sido privilegiado pelo «sistema» com apoios oficiais directos e indirectos e com boas vontades governamentais, sempre têm sido as grandes Indústrias das Fileiras Florestais, a começar pelas Celuloses que agora se vêm armar em injustiçadas e até em «mártires»…

Hoje em dia, algo mudou a nível institucional embora ainda não suficientemente. É preciso continuar por aí…

Há uma intensa campanha política «subterrânea» embora muito detectável a pretexto dos Incêndios Florestais

Sim, também acho que decorre, e que passa muito pela grande comunicação social, uma intensa campanha de desinformação, com objectivos políticos «disfarçados» e a pretexto dos casos mais graves com os Incêndios Florestais.

Sim, também acho que «eles» procuram criar e manter um clima de insegurança colectiva e de medo entre a maioria da «ingénua» população portuguesa, como criaram em outras e ainda relativamente recentes épocas de luta política – de luta de classes – mais intensa no nosso país.

É certo que também nós, os que lutamos do outro lado, também nós não podemos esquecer as tragédias monstruosas que este Verão se abateram – desejamos muito poder manter o verbo no passado – sobre a nossa população e muito devido a erros múltiplos, o que não abona em nada o actual Governo e que ainda menos o pode «desculpar» ou pelo menos «desculpar» os mais directos (ir)responsáveis…

Mas, convenhamos, quando um ex-primeiro-ministro pelo PSD e um ex-candidato a líder do PSD, e actualmente eurodeputado, mais não fazem do que serem uns «necrófagos falantes» a pretexto das maiores vítimas de Pedrógão Grande – quando vemos uma ex-ministra da Agricultura (e das florestas) a tentar fazer de conta que anda «amnésica», que nunca foi ministra e nunca teve quaisquer responsabilidades nestas matérias – quando vemos as Celuloses a fazerem de conta que estão desatentas e muito, muito injustiçadas – quando vemos alguns «papagaios», no poleiro em que têm estado anos a fio, a descobrirem, só agora, certas «injustiças» alegadamente cometidas sobre Bombeiros e Protecção Civil – quando vemos os «capítulos» desta novela dos Incêndios Florestais, suas causas e consequências, a serem desenvolvidos, uns atrás dos outros, por determinada Comunicação Social – temos que, legitimamente, inferir que há por aqui muito «fumo» desinformativo e que onde há deste «fumo» há «fogo» ateado também com o objectivo de provocar instabilidade POLÍTICA.

Isto, num contexto político e institucional que, é sabido, continua a desagradar e a preocupar sectores intolerantes por natureza de classe e por interesses (monopolistas) espúrios…

Também por isso, é necessário retirar «do lume» este «caldo de cultura» onde fervilham tais «conspiradores»… Mas que, para apagar esse «lume», também não se recorra a uma determinada «indústria do fogo»… Ah! E que não me venham acusar, a mim, de pertencer à «contra-informação»…

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