A diabolização dos lucros pelo PCP

Todo este chorrilho de asneiras teve como justificação a proposta do PCP para a sustentabilidade da Segurança Social! Uma certeza existe: se a estupidez pagasse imposto, a sustentabilidade da Segurança Social estava assegurada! 

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Créditos / Pixabay

De quando em vez, guardam-se textos que, com toda a propriedade, se podem classificar como «exemplares», por constituírem sínteses, quase perfeitas, das vulgatas de preconceitos e frases feitas sobre as posições do PCP e o próprio PCP.

Foi o que aconteceu com o artigo «A diabolização do lucro», de Diogo Agostinho (DA), publicado no Expresso/Economia de 13 de Maio de 2017, que agora se teve a oportunidade de reler com a devida atenção.

Chega a ser difícil acreditar em tanta ignorância pesporrenta e falta de rigor jornalístico, de brio profissional.

O rapaz até é por um capitalismo comedido! Confessa, «(…) estou longe de defender um capitalismo sem regras, que trata o homem e o planeta como descartáveis, com uma única moral lucros sempre crescentes».

E até, calcule-se, admite «a possibilidade de taxar os lucros, com um pequeno contributo (…)»! Mas não pode é com «o PCP e o Bloco a gritarem e colarem cartazes contra os lucros de empresas privadas»!

Quem sabe, «(…) exigindo a abolição legal do lucro»! As suas horríveis invectivas: «Uma empresa privada tem lucros de milhões de euros? Bandidos, vamos a eles com toda a força. É isto que os move, é esta a ideologia que está em cada intervenção». Mas não admira: «(…) estes senhores sabem sequer o que é uma empresa?»! (mas é bem educado: pede desculpa pela «dureza» desta última interrogação!). Não se fazem mais citações, porque senão o papel rasga-se de tanto rir…

Todo este chorrilho de asneiras teve como justificação a proposta do PCP para a sustentabilidade da Segurança Social! Uma certeza existe: se a estupidez pagasse imposto, a sustentabilidade da Segurança Social estava assegurada! Mas haja paciência.

Seria fácil desafiar DA a indicar um, um só, documento, folheto, cartaz do PCP onde se diga qualquer coisa de semelhante, mesmo aproximada, ao que diz que o PCP diz sobre os lucros das empresas!

Mas não terá sentido, porque ele sabe que escreveu apenas umas lérias, do que catrapiscou nuns títulos de jornais ou chavões anticomunistas ou cassetes de uns debates manhosos.

«Todo este chorrilho de asneiras teve como justificação a proposta do PCP para a sustentabilidade da Segurança Social!»

Será fácil dizer a DA o que o PCP propõe, entre outras medidas, para reforçar a sustentabilidade da Segurança Social: «Criar uma contribuição sobre as empresas com elevado Valor Acrescentado Líquido (VAL) por trabalhador (grandes Resultados com poucos trabalhadores) complementar ao actual regime de contribuições e com ele articulado, abrangendo as empresas com VAL acima de um determinado limite.» (Ver Programa Eleitoral do PCP, 2015).

E seria fácil, se DA quisesse, verificar que a proposta não tem nada de «ataque cerrado às empresas e à geração de lucro», e, se fosse um bocadinho mais longe, verificaria até que a medida é avançada por muita outra gente, que nada tem de comunista! Mas não quer. Como não quer conhecer de facto as causas que afectam a sustentabilidade do sistema, caso contrário, não se limitaria a repetir a matriz explicativa das seguradoras e fundos de pensões privados!

Seria fácil informar e esclarecer DA sobre os lucros que o PCP combate de facto no período histórico em que nos encontramos: os superlucros, os lucros monopolistas e oligopolistas, a que alguns, eufemisticamente, chamam «rendas excessivas». O DA já deve ter ouvido falar dessa coisa, a propósito das tarifas da energia e telecomunicações, dos preços dos combustíveis, etc.!

Lucros que significam uma retribuição do capital, a taxas bastante acima da média numa dada conjuntura económica. E até se pode contar a DA, a propósito, uma estória edificante, com muita moral para jornalistas ignorantes.

Em tempos que já lá vão (2009), o subdirector de um periódico bem conhecido cá da nossa terra resolveu falar sobre a pretensa demagogia do PCP. De que o PCP o que queria era que a EDP e a GALP tivessem prejuízo, face à iniciativa do Grupo Parlamentar PCP de chamar à Assembleia da República o Presidente da EDP e também da GALP, para explicarem os volumosos lucros das suas empresas nesses anos.

Ora, o PCP não queria que a EDP e a GALP tivessem prejuízos! O que não queria é que elas tivessem, em ano de crise, lucros recorde, à custa dos prejuízos (dos lucros) das outras empresas e dos bolsos da generalidade dos portugueses. Pois o que era claro é que os sobrelucros da EDP e da GALP resultavam (e ainda resultam) de tarifas da energia eléctrica, preços do Gás Natural (GN) e combustíveis petrolíferos demasiado elevados.

Ora, passados uns tempos, chegou a Portugal uma senhora muito bonita chamada Troika, que pediu para se fazerem uns estudos independentes sobre o sistema electroprodutor português. Lá se gastaram uns milhares, com uma Instituição inglesa (Universidade de Cambridge), mas valeu a pena.

Pois chegou-se à conclusão que a EDP & C.ia apropriar-se-iam, entre 2007 e 2017 (10 anos), de 2,514 mil milhões de euros de «rendas excessivas», isto é superlucros!

Espantoso como a senhora Troika estava contra os lucros dessas empresas! Aliás, já mais atrás, um senhor chamado Vítor Bento (que se julga que DA conhece) tinha concluído que os sectores não transacionáveis tinham obtido qualquer coisa como 24 mil milhões de euros (15% do PIB) de «rendas excessivas», isto é, lucros acima da conta, à custa dos sectores transacionáveis, isto é, no fundamental PME e empresas exportadoras!

Como podia ter verificado o DA, não é só o PCP que tem esta obsessão por anti-lucro, de algumas empresas!

Resta uma conclusão nada moral: o DA só pode escrever o que escreveu porque tem, de ciência certa, a garantia de que não haverá, onde diz missa, contraditório que reduza a sua prosa a …lixo tóxico.

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