|Sugestões culturais

Sugestões culturais que não pode perder

O ensaísta e crítico José António Gomes faz sugestões culturais de norte a sul do país (mas começa pelo Brasil…). Música, exposições, teatro, livros e outras iniciativas para aproveitar durante o mês de Setembro.

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Grupo Coral da Freguesia de Monsaraz
Grupo Coral da Freguesia de MonsarazCréditos / Tribuna Alentejo.pt

Da música de Chico Buarque…

Ia escrever que, hoje, o centro do mundo se tinha deslocado para Serpa – e que esse centro não era certamente Wall Street ou a City. E continuo a achar o mesmo, mas abro e fecho aqui uns imensos parêntesis, capazes de abraçar o Brasil. Isto porque, no momento em que redijo este roteiro, o centro do mundo está por algum tempo do outro lado do Atlântico: o anunciado golpe de estado acaba de ser consumado. Um novo tipo de golpe, sublinhe-se. Para já, não requer militares, nem a força bruta nas prisões e nas ruas (a ver vamos). Apenas precisou do senado, da intoxicação da opinião pública e da utilização do aparelho legislativo em eficaz convergência com os media dominantes, para que daí resultasse a necessária entorse da democracia. E precisou, já se vê, da acção do grande capital nacional e internacional, dos partidos políticos que o representam e servem a classe dominante do país, forças atoladas na corrupção e com urgência em condicionar a justiça e travar as aspirações populares. Com o sempre firme e fiel Chico Buarque na assistência, entre outros, Dilma Rousseff, de cabeça erguida, apelou aos senadores: «Votem contra o impeachment. Votem pela democracia.» A maioria deles obviamente não seguiu esse caminho. Preferiu votar contra a vontade democrática de uma maioria de 54 501 118 brasileiros – 51,64% dos votos válidos, na segunda volta das presidenciais de 2014 que elegeram Dilma.

No Brasil – e também aqui – é tempo, pois, de escutar Chico Buarque, na inesquecível canção «Apesar de você», muito cantada por estes dias, enquanto canção de resistência. É tempo de intensificar a luta pela democracia e pela justiça social. Por cá, é tempo de aprendermos com os cantores, actores e outros artistas (foram tantos) que, durante estes meses, se comprometeram (é o termo justo) numa combativa e criativa campanha contra o golpe, pela defesa da democracia e da cultura. Campanha que prossegue e que, certamente, irá crescer. E já que estamos com a mão na massa, apontemos nos caderninhos da memória, os nomes dos media (e dos seus opinadores de serviço) que, em Portugal, de uma forma ou doutra, foram pendendo para o campo das forças golpistas. Não falta matéria para coligir e analisar.

«A Casa do Cante nasceu da vontade do Município de Serpa de contribuir para a valorização das Identidades do Sul, ciente da importância do diálogo intercultural que estas permitem».»

Casa do Cante

E agora o cante, em Serpa

Regresso então a este outro centro do mundo. Ou seja, a Serpa (e ao Baixo Alentejo), capital do cante, para uma visita à ainda recente Casa do Cante, «entidade gestora da Candidatura do Cante Alentejano à Lista representativa do património cultural imaterial da humanidade, apresentada pelo Estado Português à UNESCO em 2013». Uma exemplar candidatura, concretizada em dossier apresentado pela Câmara Municipal de Serpa/Casa do Cante, e que foi instruído pelo director da Casa, Paulo Lima, e por Salwa Castelo-Branco, tendo como Comissão Científica esta etnomusicóloga (professora catedrática do Departamento de Ciências Musicais da Universidade Nova de Lisboa e directora do Instituto de Etnomusicologia – Centro de Estudos em Música e Dança, de que é aliás investigador-colaborador o escrevedor destas linhas), e ainda o antropólogo Jorge Freitas Branco, professor catedrático do ISCTE, além do próprio Paulo Lima. Hoje que o cante é património imaterial da humanidade, importa lembrar que «a Casa do Cante nasceu da vontade do Município de Serpa de contribuir para a valorização das Identidades do Sul, ciente da importância do diálogo intercultural que estas permitem».

Como é sabido, o cante é uma força da voz e do coração, do génio músico-vocal do homem alentejano em sua circunstância, força de um colectivo e de cada um dos indivíduos que o compõem. O cante é memória das lutas do camponês e do mineiro do Alentejo pelo pão e pela terra, e memória da gesta da Reforma Agrária (a seu modo, o cante está presente na senha do 25 de Abril de 1974: «Grândola», de José Afonso, gravada em 71). Mas o cante é também solidão, melancolia, lirismo. É olhar poético sobre a paisagem alentejana, sobre vilas, cidades, a sua história; um olhar preso às aves, às plantas, à dinâmica do cosmos, sem nunca esquecer a relação amorosa… Se o cante é lembrança das dores do homem, não deixa tão-pouco de ser exaltação da sua energia colectiva. Com muito de lírico, mas com algo de épico também, o cante é evocação e espanto; é lamento, sorriso, revolta; na moda entoada o cante recria o mundo, de olhos postos por vezes no futuro. E é música: timbres, ritmo, melodia. Visite-se, pois, a Casa do Cante, em Serpa, para se aquilatar o valor desta expressão cultural única.

Música mediterrânica em Alfândega da Fé

Avanço para norte, para outro centro. Conhece o concelho de Alfândega da Fé, distrito de Bragança, Alto Trás-os-Montes? Se a resposta é não, nem sabe o que perde. É um dos lugares mais belos e tranquilos de Portugal, paisagem de campo e montanha, majestosa e genuína, onde se sente toda a energia da terra, da pedra e da sua altura. Lugar de uma das três principais festas da cereja do país (em Junho), onde terminou em meados de Agosto o sexto encontro de escritores transmontanos, organizado pela Poética Edições, a vila é agora palco de música e não só: o circo aéreo acrobático da companhia francesa Les P’tits Brás e as músicas do grupo Tribali Music, de Malta, irão preencher o Festival Sete Sóis Sete Luas por estas paragens. Será a 7 e 9 de Setembro, às 22h, no largo de S. Sebastião. «Há precisamente 24 anos que a associação Sete Sóis Sete Luas, guiada pelo sonho imaginário da famosa passarola, elemento presente no aclamado livro Memorial do Convento de José Saramago, tem-se empenhado na preservação e promoção da cultura Mediterrânica e do mundo lusófono», lê-se no programa. Importante: a entrada é livre, a Câmara apoia, promove. Fique ainda a saber que a vila, além de uma boa biblioteca municipal e de outros pólos de interesse, dispõe da Casa da Cultura Mestre José Rodrigues, projecto de Alcino Soutinho.

No Porto, entrada livre para Sérgio Godinho & a OJM e também para a OSF

Descendo para sul e para o litoral, não esqueça que Sérgio Godinho (acabadinho de sair da Festa do Avante onde fez duo com Jorge Palma) estará no Porto para interpretar algumas das suas mais emblemáticas canções com a Orquestra de Jazz de Matosinhos. O espectáculo decorre na Avenida dos Aliados, a 9 de Setembro, às 22h, no âmbito da iniciativa Concertos da Avenida, promovida pela Câmara e pela Casa da Música. Na direcção musical, estará Pedro Guedes que assina arranjos, tal como Carlos Azevedo, encarregado do piano. A não perder esta rara associação ao jazz da música de Sérgio Godinho.

No dia seguinte (10), à mesma hora, é a vez de a Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música oferecer um concerto à cidade, também nos Aliados. Direcção musical de Baldur Brönnimann. No programa: Franz von Suppé, Dvořák, Borodin, Elgar e outros. Em ambos os casos, a entrada é livre.

Em Lisboa, grande música (Orq. Simón Bolívar) e teatro a não perder

Num tempo, em que, mergulhada em profunda crise, a Venezuela bolivariana tenta resistir às investidas da sua classe dominante e das forças políticas que a sustentam, secundadas como sempre pelo «american friend» (recorrendo a um velho título de Wim Wenders), vale certamente a pena dar um salto à Gulbenkian: Gustavo Dudamel e a Orquestra Sinfónica Simón Bolívar apresentam um primeiro concerto envolvendo a formação de câmara, a Simón Bolívar String Quartet (5/9, 19h), que tocará obras de Brahms, Chostakovitch e Ginastera. Seguem-se dois concertos com a formação sinfónica dirigida pelo carismático maestro venezuelano. O primeiro (7/9, 21h) contará com o Coro Gulbenkian e do programa constam obras de Villa-Lobos («Bachianas brasileiras» n.º 2 e «Choros n.º 10, Rasga o Coração»), Ravel («Daphnis et Chloé, suite n.º 2» e «La Valse») e Paul Desenne («Hipnosis Mariposa»). Para o segundo concerto (8/9, 21h), a Orquestra tocará com o pianista Jean-Yves Thibaudet e interpretarão a sinfonia «Turangalila» de Messiaen.

O compositor John Williams e a Orquestra Sinfónica da Juventude Venezuelana Simón Bolívar

O maestro Dudamel, recordo-lhe, foi um dos músicos formados por «El Sistema», o modelo didáctico musical concebido na Venezuela por Jose Antonio Abreu, que constitui um sistema de educação musical pública, com acesso gratuito e livre para crianças e jovens adultos de todas as camadas sociais. A Fundación del Estado para el Sistema Nacional de las Orquestas Juveniles e Infantiles de Venezuela é, neste quadro, o órgão do estado venezuelano responsável pela manutenção de mais de 125 orquestras (sendo 30 delas sinfónicas) e coros juvenis, e pela educação de mais de 350 000 estudantes, em 180 núcleos distribuídos pelo país. Destas coisas as nossas televisões e rádios falam pouco, não é? Preferem outras... Mas aproveite já e consulte o programa com a oferta musical da Gulbenkian para o mês de Setembro.

Finalmente, duas propostas teatrais implicando, para os de fora, uma deslocação à capital, que vale a pena (até porque, no Museu Calouste Gulbenkian/Colecção Moderna, ainda está patente, e estará, a magnífica retrospectiva da pintura de José Escada – e interessa dar lá um salto, e dar rédea solta ao olhar). As duas propostas são: «Constelações», de Nick Payne, que regressa ao palco da sala vermelha do Teatro Aberto, a 9 de Setembro. Interpretam Joana Brandão e Pedro Laginha. A dramaturgia é de Vera San Payo de Lemos e a encenação de João Lourenço. «Música», de Frank Wedekind, texto escrito em 1906, é o espectáculo que a Cornucópia leva à cena de 22 de Setembro a 9 de Outubro 2016, no Teatro do Bairro Alto. A encenação é de Luís Miguel Cintra, o cenário e os figurinos de Cristina Reis, e a interpretação é de Dinis Gomes, Duarte Guimarães, Guilherme Gomes, João Reixa, Luísa Cruz, Nídia Roque, Rita Cabaço e Sofia Marques.

Miró em Serralves, Tom Stanley em S. Mamede (Matosinhos), Tiago Manuel em Viana e… Lousada

Em alguns jornais, anuncia-se a inauguração, a 30 de Setembro, da falada exposição dos Mirós resgatados, in extremis, à cambulhada do BPN e aos funestos intentos do governo de Passos Coelho, muito pouco amigo das artes e do património cultural. Título: «Joan Miró: materialidade e metamorfose», comissário: Robert Lubar Messeri, grande especialista na obra deste pintor catalão (1893-1983) ligado ao surrealismo. O espaço será o do Museu de Serralves, no Porto. A confirmar e a ver, claro. A mostra será certamente concorrida e dará que falar. Até os alunos das «universidades» de Verão do PSD e do CDS (alguns moram nas redondezas de Serralves) terão, assim, oportunidade de descobrir, finalmente, quem foi Miró (autor do célebre «Aidez l’Espagne», o desenho oferecido à República espanhola, em 1937, para apelar à solidariedade internacionalista e antifascista). E quem sabe se, nessa altura, o inflaccionado tarifário do Museu se não tornará um pouco mais democrático (falo, já se sabe, do direito à fruição cultural).

Até lá, passe, se puder, pela Casa-Museu Abel Salazar (CMAS), em S. Mamede de Infesta, e veja a interessante exposição de obras do artista norte-americano Tom Stanley, «Drawings across the sea», visitável até 17 de Setembro. Do boletim da CMAS: «A improvisação, a resposta automática, a colagem e a assemblagem visual são métodos recorrentes nas suas pinturas e desenhos, onde se vislumbram formas de pendor gestual que interagem com formas geométricas. O seu trabalho advém da exploração da memória pessoal, do interesse por arte folk contemporânea, por arte bruta e por desenhos de peças mecânicas».

Se andar pelo Minho, não perca a exposição desse notável ilustrador, pintor, autor de BD e novela gráfica de registo surrealizante que é Tiago Manuel. Está em Viana do Castelo, na galeria Objectos Misturados, até 17/9, e intitula-se «Nem sempre fada – desenhos de Terry Morgan». Terry Morgan, recorde-se, é o primeiro heterónimo de Tiago Manuel, que encontramos no livro Lua Negra (Assírio & Alvim, 2000).

E agora siga-me, se possível. A meia hora do Porto, por auto-estrada, chega-se a Lousada, vila limpa, ordenada e com equipamentos e iniciativas culturais merecedores de atenção (dinâmica biblioteca pública, bom auditório municipal com programação regular – teatral por exemplo –, edições próprias de qualidade, etc.). Convido-o/a, pois, a conhecer a agenda de Setembro desta simpática vila e permito-me destacar pequenas iniciativas integradas nas comemorações do 1.º centenário do poeta Álvaro Feijó (1916-41); também as III Jornadas da Educação sobre «Sucesso educativo, territorialidade e contextos escolares: novas abordagens» (8 e 9 de Setembro); e ainda o programa municipal de caminhadas e outras actividades ligadas à educação ambiental, as quais, sob a designação BioLousada, prosseguem a 16 de Setembro com a Noite dos Morcegos. (E não resisto a lembrar Arnaldo Mesquita (1930-2011), natural de Lousada, advogado que esteve na primeira linha de defesa dos seus camaradas presos durante o fascismo. Militante do PCP desde 1949, sofreu, ele próprio, a prisão e a tortura pela PIDE. Evoco-o aqui, porque este homem também era poeta, com diversos livros editados, alguns pela Câmara de Lousada. Um dos seus títulos, Aves Ledas (2006), é bem a tradução poética do que foi a paixão de Arnaldo Mesquita pela vida natural e pelas aves – cantou-as com sensibilidade e graça nestes seus versos, composições que merecem ser lembradas e ditas nas escolas de um concelho onde as questões ambientais não são ignoradas.)

Livros no Porto e em S. Miguel de Seide… Viale e Mário Dionísio

E assim, saindo-se de um livro se chega a outros livros, numa altura em que principia a Feira do Livro do Porto, nos belos Jardins do Palácio de Cristal (2 a 18 de Setembro). Organizada pela autarquia, a iniciativa conta com 131 pavilhões que incluem 69 editoras, 26 livrarias, 16 alfarrabistas, 12 instituições e 8 distribuidoras. Há todo um programa de animação cultural que pode ser consultado na página da Câmara e o autor homenageado é Mário Cláudio.

Mas eu sugiro-lhe, por exemplo, que siga também a trilha do escritor José Viale-Moutinho. No dia 4 (14h), estará na Feira (stand da Afrontamento) autografando os seus livros infantis, e não só. Já fora do âmbito da Feira, participará no lançamento da Camiliana que organizou para o Círculo de Leitores: quatro volumes com recolha, prefácio e notas suas – o essencial, creio, da obra novelística e contística de Camilo Castelo Branco, a que se somam dois volumes de correspondência, crónicas, artigos, polémica. Reconheça-se: é obra – e paixão conhecida! Aponte: 9 de Setembro, 18h30, auditório da Casa de Camilo – Museu/Centro de Estudos, em S. Miguel de Seide, Famalicão. Voltando à Feira do Livro, sugiro-lhe quatro títulos recentes de Viale-Moutinho: A Batalha de Covões (Teodolito, 2016), uma obra de ficção; a nova edição de Os Meus Misteriosos Pais (Lápis de Memórias, 2015), único livro juvenil português a abordar, até agora, a condição das famílias de comunistas clandestinos, antes do 25 de Abril, do ponto de vista de um jovem; e o livro de poemas Anjos Cobertos de Pó (Afrontamento, 2014): «Há noites em que temos de voltar / sobre os nossos passos à procura / do corpo das palavras, as frases / tornam-se água de silêncio e busca / medindo a altura do poço do castelo / onde há um certo código de barras (…)» (p. 67). Mas recomendo também que não perca Primeira Linha de Fogo: Da Guerra Civil de Espanha aos Campos de Extermínio Nazis (Bertrand, 2013), textos situados entre a História, a reportagem, o testemunho. Conheça este bom livro, no momento em que se assinalam os 80 anos do início da Guerra Civil em Espanha.

Centro de Estudos de Camilo, São Miguel de Seide

Uma última sugestão de leitura é a recentíssima edição da Poesia Completa, de Mário Dionísio (1916-1993), saída na Imprensa Nacional – Casa da Moeda, no centenário do nascimento de um autor que importa (re)descobrir e estudar, até pelo seu perfil literário e artístico multifacetado. Foi notável contista, em O Dia Cinzento e Outros Contos (1944; 1967) e noutros títulos; foi autor de um romance singular, Não Há Morte nem Princípio (1969), e ainda do influente A Paleta e o Mundo (1956-1962), obra profunda mas pessoalíssima sobre pintura, que tarda em ser colocada no mercado em nova e condigna edição. A escrita poética de Mário Dionísio merece ser relida e, juntamente com a sua pintura, e com alguma da sua prosa ficcional, em geral troca as voltas aos habituais detractores-de-vista-estreita do neo-realismo (tal como acontece com as obras de Carlos de Oliveira, de José Gomes Ferreira ou mesmo de Manuel da Fonseca). E isto pela novidade da voz, muito individualizada e culta, aberta ao diálogo interartístico e ao influxo de vozes estrangeiras (como as de Éluard, de Aragon e de outros autores franceses), inquieta e permeável sempre à modernidade artística. A sua bela e desafiante pintura, que desaguaria na abstracção, é exemplo também do interessante percurso de liberdade artística que foi o de Mário Dionísio. Simultaneamente, estamos perante um dos mais relevantes críticos e ensaístas ligados ao neo-realismo – movimento do qual foi também protagonista. A esta dimensão Mário Dionísio aliou uma preocupação permanente com a representação do real e com as questões sociais e políticas – que a escrita espelha –, tendo sido, ao longo da vida, empenhado democrata, antifascista e intelectual de invulgar estatura cultural e cívica. Como professor, é hoje uma grata memória para aqueles que foram seus alunos.

Em suma, vale a pena ler estes singulares e sentidos poemas compostos entre os anos 30 e 80 do século XX, enquanto trajectória de um homem nas suas circunstâncias.

A obra tem um texto introdutório de Jorge Silva Melo, uma «Advertência» e um «Antiprefácio» (1966) do autor e os muitos poemas que escreveu originalmente em Francês foram, neste volume, traduzidos para Português por Regina Guimarães, apresentando-se as duas versões.

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