O crepe gigante

Arquitectura, cidades, cinema, livros, música, escultura, eventos para os próximos dias de Agosto. Sem crepes gigantes, está prometido.

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Fotograma de 'Paterson', de Jim Jarmusch
Fotograma de 'Paterson', de Jim JarmuschCréditos / tagv.pt

A cidade em Agosto…

Há uns dez a quinze anos, poder ficar no Porto ou em Lisboa, durante o mês de Agosto, era um luxo, pelo menos para alguns. Em certos bairros, a certas horas, a cidade tinha um ar despovoado; respirava-se melhor; o trânsito regredia. Passeava-se bem a pé, curtia-se os bairros, a arquitectura, o verde da folhagem, o trilo dos pássaros, o sono dos gatos nos recantos ao sol. Era fácil arranjar sítio numa esplanada, num restaurante, num banco de jardim (e nada como ir ao cinema nesses momentos, sentir a sala arejada e por conta de meia dúzia). Desenhavam-se sombras disponíveis, convidativas, o silêncio era possível e a sensação semelhante à de Nanni Moretti em Roma, no primeiro episódio do seu inesquecível filme Querido diário, de 1993.

No fundo, sentíamos uma ilusória libertação, um ar mais puro: haviam desertado da urbe a maioria dos políticos da direita ou da social-democracia e até parte dos comentadores de serviço aos pasquins e televisões do grande capital. Pois, tal como muita da pequena e média burguesia nacional, todos se encontravam a banhos no Algarve e a dar-se às fotos do CM, do Expresso, da Gente, da Caras. Quantos vizinhos e conhecidos nossos tinham partido, por uma semana ou duas, para a República Dominicana, para Varadero (sem saberem bem onde estavam) ou para Cayo Coco (sempre achei graça chamar-lhe «Caio Bacoco») ou até para o nordeste brasileiro… Alternativas mais próximas eram as Baleares, a Tunísia, as ilhas gregas… Outros tinham rumado à costa alentejana ou a Caminha (espécie de insuportável Porto burguesinho, em ponto pequeno, durante o mês de Agosto). Alguns demandavam as recônditas aldeias maternas e paternas. Os menos endinheirados deixavam-se tentar por umas escapadelas até às praias de mar ou de rio próximas e, ao fim do dia, buscavam as suadas festarolas locais.

O inferno era, pois, para os outros e o sonho, enfim, realizava-se: estar de férias na nossa própria cidade, tornada lugar habitável e belo, respirável e tranquilo, emanando uma luz silenciosa.

Tudo isto é coisa do passado. Qual camião TIR desgovernado, o turismo abalroou Lisboa e Porto, com certas zonas e bairros convertidos em lugares de frenesim. Que fazer senão lembrar… por exemplo «O Grito», de Edvard Munch (1863-1944)? Ou, então, tentar fazer ouvidos de mercador, mas não olhos, que a paisagem humana tem inegáveis atractivos (e o interculturalismo, nestas e noutras coisas, é sempre bonito). Ou ainda correr para os segredos que todas as cidades guardam: a Cantareira e os Bairros da Bouça e do liceu Carolina Michaëlis, no Porto, a Afurada em Gaia e a beira-rio em Viana (ambas pela manhã), ou, regressando ao Porto, duas das minhas vias favoritas: a Rua António Cândido (aberta quando? – anos 30, 40?) e a bela e sombreada Avenida dos Combatentes, relativamente próxima (antes, passando pela aprazível Quinta do Covelo, com as ruínas de um solar desfeito pela artilharia miguelista).

Acredite: é zona sem turistas. E não parece, mas a Avenida dos Combatentes é um dos segredos mais bem-guardados da cidade, com uma casa de Siza e um elegante pequeno prédio de 1952, de Arménio Losa e de Cassiano Barbosa, a juntar a outros casos arquitectónicos de mérito. Aliás, se for passear para este bairro, como eu vou quase todos os dias, irá encontrar, nas imediações, diversos edifícios modernistas interessantes da dupla Arménio Losa / Cassiano Barbosa, por exemplo na Rua Santos Pousada e na Rua da Constituição (ah, o prédio do cavalinho). Aproveite para consultar os mapas Siza e Losa/Barbosa e, já que fica em caminho, dê um salto à linda Praça Marquês de Pombal, no Porto, com o seu pequeno bosque central, bonito lago com chafariz, perto das saídas do metro, e, do lado oriental da praça, a que foi a casa/atelier de Marques da Silva, além da casa dos seus sogros (estão ligadas). Este foi, como é sabido, o mais marcante arquitecto da cidade (Estação de São Bento, edifícios nos Aliados, liceus, bairro operário do gaveto Serpa Pinto / Constituição…). Nessas duas casas, funciona a Fundação Marques da Silva, da Universidade do Porto, à qual foram legados espólios de vários arquitectos portuenses – infelizmente, só em ocasiões excepcionais (compreende-se?) estas duas casas são abertas ao público. Do outro lado da praça, tem a igreja de Nossa Senhora da Conceição, terminada nos anos 40, com frescos de Guilherme Camarinha (1912-1994). Todavia, na praça (antigo Largo da Aguardente), já circulam alguns turistas, hospedados nos alojamentos locais e nos pequenos hotéis das redondezas…

Um grande escultor, no Porto

Mas se, de facto, for surpreendido por alguma avalanche de turistas na baixa do Porto, por estes dias, não se esqueça do seguinte abrigo seguro, bem à mão: na Culturgest, à Avenida dos Aliados, tem neste momento a obra de Alberto Carneiro (1937-2017). Considerado um dos maiores artistas portugueses contemporâneos, o escultor faleceu no Porto, aos 79 anos, e foi o principal dinamizador dos Simpósios de Escultura de Santo Tirso, organizados a partir de 1991, os quais estiveram na origem do Museu Internacional de Escultura Contemporânea, o único museu de escultura ao ar livre existente em Portugal. A obra «Um campo depois da colheita» vai estar exposta na Culturgest Porto, de 23 de Julho a 1 de Outubro. «Alberto Carneiro realizou três instalações que foram determinantes para o seu percurso e para toda a arte portuguesa posterior», escreve a Culturgest, reportando-se a «O Canavial: Memória metamorfose de um corpo ausente», de 1968, «Uma floresta para os teus sonhos», de 1970, e a «Um campo depois da colheita, para deleite estético do nosso corpo», de 1973-1976, que está agora no Porto. De um artista para quem a natureza e os seus materiais, digamos assim, eram substância essencial para o sonho, a reflexão sobre tempo e espaço e o trabalho de recriação, várias instalações, com a inauguração da do Porto, são agora mostradas em simultâneo, em diferentes salas da Culturgest, nomeadamente em Lisboa, com curadoria de Delfim Sardo.

Cinema e poesia

Outro dia, na baixa do Porto, o meu refúgio foram as trevas frescas dum cinema: o Trindade, finalmente reaberto este ano (graças aos deuses e a um pequeno empresário – que esses deuses o guardem), mesmo ali ao lado da Câmara. E foi aí que pude ver Paterson (2016), de Jim Jarmusch, fita que já estreou há algum tempo, mas que lhe recomendo vivamente. Com magnífica interpretação de Adam Driver, é um oásis no meio do ruído mediático, da verborreia oca e da fealdade do mundo. Um filme fixado nos sinais de beleza do real, de uma humanidade que comove, simultaneamente divertido, tranquilo e intranquilo, feito de pequenas subtilezas e de apelos subentendidos à atenção, a do olhar e do ouvido. Dizia Lorca: «El poeta tiene que ser profesor en los cinco sentidos corporales... en este orden: vista, tacto, oído, olfato y gusto.»

Tendo como protagonista um poeta que é motorista de autocarros, e que escuta as histórias do dia-a-dia saídas da boca dos seus passageiros, um homem sensível que aprendeu a concentrar olhar e mente, Paterson é também sobre isto, ou seja, um filme sobre a criação poética (o acto de criação artística) e sobre aquela certeira tirada que consta de um poema do imagista William Carlos Williams (1883-1963), «no ideas but in things»: todo um programa que Williams aplicaria à sua própria oficina poética.

A frase encontra-se precisamente no início do poema, em cinco volumes e um fragmento do sexto, que tem também o título de Paterson e que Williams começou a compor em 1926 (os cinco livros saíram em 1946, 1948, 1949, 1951 e 1958, tendo o poeta morrido sem ter concluído a sexta parte). Inicia-se com uma descrição das quedas de água (as Paterson Falls) no rio Passaic, que é possível ver também na fita de Jarmusch. Se, no poema, o sujeito/personagem e a própria cidade formam como que uma unidade, a situação é replicada, até certo ponto, no filme, pois o poeta-motorista tem o mesmo nome da cidade onde nasceu e trabalha. Também os fragmentos de conversas no autocarro fazem pensar nos fragmentos de notícias e outros textos que Williams viria a «colar» pelo meio do seu discurso poético. E estes são apenas dois dos tributos, directos ou indirectos, que, ao longo do filme, Jarmusch presta ao grande poeta imagista – o qual, em certo período da sua juventude como médico, habitou em Paterson, New Jersey (estado de onde era natural outro poeta mencionado no filme, grande admirador de Williams: Allen Ginsberg, o autor de Howl and Other Poems (1956)). Já agora, querendo (não é texto fácil, aviso já), pode o/a leitor/a abalançar-se à leitura de uma tradução do longo poema de William Carlos Williams, da autoria de Maria de Lourdes Guimarães (Paterson, Relógio d’Água, 1998). E, porque vem a propósito, a quem tenha dificuldade na língua inglesa, recomendo uma Antologia Breve da poesia de Williams, em versão de José Agostinho Baptista, editada pela Assírio & Alvim, em 1993.

O crepe gigante e as músicas do mundo: Sendim, Miranda, Porto, Viseu, Lisboa…

Há tempos, numa hilariante série televisiva francesa, observei a curiosa personagem de uma assessora de um autarca. Para atrair visitantes à terra e atenção mediática, ocorria-lhe a peregrina ideia de sugerir a confecção pública de nada mais nada menos do que um crepe gigante, descomunal! De rir.

A partir dessa data, passei a dar atenção crescente aos enjoativos (para mim) «crepes gigantes» que fazem inchar e adoçar, no Verão e não só, as desertificadas localidades deste pobre país, sedentas de visitantes. Claro que, em ano de autárquicas, os «crepes» são mais gigantes do que nunca (por respeito às terras, prescindo de exemplos, que os há por todo o lado e de todas as coloraturas…).

Não espere, pois, leitor que lhe lembre os «crepes gigantes» que vão por esse Portugal fora, e que assumem as mais diversas formas (em feiras, em festivais, em sei lá o quê), alguns deles bem chamuscados pelo drama dos fogos. A febre dos festivais de música (que deixaram quase de ostentar os nomes das terras, para serem conhecidos pelos nomes dos grandes patrocinadores) é um desses crepes. Deixo-os de lado. Estão em todos os canais de TV e em todos os jornais. Não precisam que fale deles aqui. Nem das mil comezainas estivais e disparates de gosto duvidoso, sabe-se lá onde, que, todos os dias, as televisões nos metem pelos olhos dentro.

Limito-me por isso (vamos à música) a sugerir atenção ao sempre interessante e singular Festival Intercéltico de Sendim, Miranda do Douro, organizado pelas autarquias de Miranda e de Salamanca, com alguns outros apoios. Vai na sua 18.ª edição, o que é obra. Começou no dia 3, em Miranda do Douro, com a formação Túa, oriunda de Múrcia (Espanha), tendo-se seguindo o PanDemonium Gaiteiro da Terra de Miranda. No dia 4, o festival regressa a Sendim para acolher os galegos BÖJ, para além dos portugueses Charanga e Sons do Douro. No último dia, 5, sobem ao palco os Yves Lambert Group do Canadá, o castelhano Raul de Díos, Iparfolk e Lenga-lenga Terra de Miranda. Como vem sendo hábito, além da música celta, há actividades paralelas: Caminhada «Rota dos Celtas», Terreiro dos Pauliteiros, Oficina de Gaita-de-Foles, Animação Gaiteira, Taberna dos Celtas e Esplanadas Celtas. No dia 5, às 14h30, na Casa da Cultura de Sendim, a AJA promove uma sessão evocativa desse heróico militante antifascista e revolucionário que foi Alípio de Freitas, recentemente falecido mas lembrado para sempre numa célebre canção de José Afonso.

Com entradas livres, também lhe sugiro ir ouvir Aga Kiespuszewska (jazz vocal), a 5 de Agosto, os Buda Power Blues, a 10 de Agosto, e o Jeff Davis Trio (jazz/vibrafone), à Casa da Música, no Porto, com entradas livres. A 9, a Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música oferece um concerto, na Avenida dos Aliados, com obras de Offenbach, Grieg, Tchaikovski, Joly Braga Santos, Gershwin e outros. Um espectáculo bem popular, gratuito, que será, certamente, do agrado de muita e muita gente que se espera encha os Aliados.

Vindo do Brasil, Seu Jorge estará na Feira de S. Mateus, em Viseu, no dia 12 de Agosto, e Paulo de Carvalho lá irá também a 2 de Setembro.

Mas é claro que o «must» musical do Verão é sempre, para quem gosta verdadeiramente de música, o Jazz em Agosto, da Gulbenkian, que aliás já arrancou. Consulte o programa, vale a pena. Mas eu pergunto e clamo: quando é que uma destas poderosas instituições trazem a Portugal a talentosa Esperanza Spalding com o seu contrabaixo, a sua voz, o seu cabelo. Já cá esteve? Não dei conta (mea culpa). Se esteve, que venha mais vezes, como outros. Sim, é bela, negra e norte-americana. Pois, como muitos dizem, embora alguns não gostem de ouvir, o jazz é sobretudo a «grande música negra».

A inesquecível Violeta do Chile. E, já agora, Chico Buarque…

Ah, e estando nós na grande música, vá-se preparando para uma celebração condigna do centenário da genial Violeta Parra (San Carlos, 4 de Outubro de 1917 – Santiago do Chile, 5 de Fevereiro de 1967): compositora, cantora, poeta, artista plástica, ceramista chilena, considerada uma das mais relevantes folcloristas do seu país e, de algum modo, uma (re)fundadora da música popular do Chile, tendo estado na origem desse movimento ímpar, musical e militante, que veio a chamar-se a «Nova Canção Chilena» – e que tanta influência haveria de ter em músicos e cantores de outros países, incluindo o Brasil (Milton Nascimento, Caetano…), a Argentina (Mercedes Sosa) e em geral todos os países hispano-americanos, e mesmo Portugal, sobretudo no pós-25 de Abril.

Irmã do grande poeta Nicanor Parra (n. 1914), Violeta foi uma artista completa e absolutamente singular, em cuja arte se fundiram uma vivência individual corajosa mas profundamente dramática, e um sentir profundíssimo do sofrimento ancestral e aspirações do seu povo, em cuja cultura a sua própria, tanto ao nível da música e da poesia como das artes plásticas, soube enraizar-se de modo incomparável.

Como homenagear Violeta? Pois bem, procurando as suas gravações, escutando-as sempre, fruindo-as, discutindo-as e dando-as a conhecer a outros.

Chico Buarque chegou a interpretar também uma ou outra composição de Violeta. E se dele falo, é porque no final de Agosto, sairá, ao fim de seis anos, um novo disco: Caravanas, do qual é já possível escutar a belíssima «Tua cantiga», letra do cantor e melodia do pianista Cristóvão Bastos. Não se pode perder.

Dois romances novos para este Verão

Quase a terminar, mais duas sugestões de livros. Porque estamos em época quiçá mais disponível para a leitura de romances. Mas, atenção, livros que (também) façam pensar.

Em A Capital do Império (Nova Vega, 2017), Modesto Navarro, bem conhecido como contista, romancista e autor de premiadas narrativas policiais, regressa, e bem, a uma das suas linhas temáticas obsessivas: a Guerra Colonial e o Portugal a cair de podre dos anos 60. Cito a sinopse: «Soldados à deriva, pobreza e prostituição em Lisboa. No norte de Moçambique, em Metangula, Lago Niassa, dois homens feridos escrevem um livro de memória e violência da cidade capital do império a desfazer-se, onde mergulharam enquanto jovens inexperientes, antes de irem à guerra.
Um está desesperado e quer fugir. Outro escreve e acompanha-o, à procura de paz e de saída para nova vida.» A foto da capa é, segundo creio, do autor e a edição é sóbria, legível e bem acabada (tem de se dizer isto, às vezes, porque há livros cuja deplorável edição, por si só, desencoraja a leitura.)

A segunda proposta é de um romance policial francês e chegou-me por indicação de um bom amigo, por acaso comunista, em cujo bom gosto confio cegamente. Intitula-se A Sétima Função da Linguagem – Quem matou Roland Barthes (Quetzal, 2017), o autor é Laurent Binet e a tradução é de António Sabler. Já agora, lembra-se das outras funções da linguagem tal como o modelo de Roman Jakobson (porque há outros) as enunciava? São a emotiva, a conativa, a referencial, a poética, a metalinguística e a fática. (Digo aqui as seis, também porque me diverte reenunciá-las.) Pois bem, a inteligente narrativa de Binet parte do acidente que virá a vitimar o grande semiólogo e crítico francês Roland Barthes e que teve lugar, em Paris, a 25 de Fevereiro de 1980. Acidente? Bom, isso é o que o inspector Bayard irá investigar. Prepare-se para ver desfilar diante dos seus olhos míticos lugares como o Flore, o La Coupole e, transformadas em personagens, figuras que fizeram o século XX intelectual, artístico e político francês, tais como como Barthes, Sollers, Kristeva, Foucault, Hervé Guibert, Bernard-Henri Levy, Deleuze, Lacan, Todorov, Genette, o ainda jovem Compagnon, Techiné, Isabelle Adjani e tantos outros, incluindo Sartre e, como não poderia deixar de ser, gente da política, começando por Giscard d’Estaing, acabando em Mitterrand e passando por outros, como Rocard ou Georges Marchais. E tudo, afinal, começa no desafortunado episódio que vitima o autor de Mitologias, O Prazer do Texto, Crítica e Verdade, Elementos de Semiologia, S/Z, O Grau Zero da Escrita, Sade, Fourier, Loyola, O Grão da Voz, O Rumor da Língua, Fragmentos de um Discurso Amoroso, A Câmara Clara, Roland Barthes por Roland Barthes, etc., etc. Acidente? É o que verá.

Um conselho final e um apelo à Paz, em Almada

Termino com um conselho: sei que sente o espírito estival, sei que se prepara neste momento para a batalha autárquica, como muita gente neste país, sei que está até ao pescoço com a histeria direitista no plano nacional e internacional, com os fogos, com as perspectivas negras da PT e dos seus trabalhadores, com a subida das taxas da CGD para manutenção das contas… Mas também sei que neste momento precisa de descanso e de alguma distracção saudável.

Então desintoxique-se, abra janelas, faça a limpeza de Verão e siga um conselho: durante algum tempo desligue os canais da televisão portuguesa, deixe de ler o Público, o DN, o Expresso, etc.

Sim, mas pode ir – e até convém – ao The Prisma, ao Rebelión.org, ao Globalresearch.ca, ao Portal Vermelho, ao Público mas ao de Espanha, ao AbrilAbril…

E já agora, para completar a desintoxicação, recorde também o que aí vem em prol da paz. Cito: «Durante a tarde de 6 de Agosto, no Jardim do Rio (junto ao Cais do Ginjal), Almada acolhe um conjunto de iniciativas promovidas pelo Movimento Municípios pela Paz (MMPP), em parceria com o Conselho Português para a Paz e Cooperação. Será inaugurado um mural alusivo à paz, assinado pelo Colectivo Aleutas, numa cerimónia que conta com a intervenção dos presidentes das Câmaras Municipais de Almada e do Seixal (esta última coordenadora do MMPP) e da presidente da Direcção Nacional do CPPC.
A partir das 15h as famílias vão poder participar em pinturas, oficinas de arte urbana, entre outras actividades gratuitas, que pretendem envolver (…) todos no objectivo internacional de construir um mundo de paz. Este dia tem como objectivo assinalar os 72 anos sobre o bombardeamento de Hiroxima (Japão), alertar para a dimensão dos actuais arsenais nucleares, para os riscos que os mesmos representam e para a necessidade do seu desmantelamento, como única forma de garantir solidamente a paz e a segurança no planeta.»

E, mesmo a propósito, não deixe de escutar «A Rosa de Hiroxima» do saudoso Vinicius de Moraes, cantada por Ney Matogrosso. Inesquecível, não é? Que viva a Paz!

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