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Comunistas querem que se mantenha na esfera pública

Colecção de arte do BES pode ser entregue à Lone Star

O património cultural do BES, agora na posse do Novo Banco, corre o risco de ser alienado à Lone Star em conjunto com o banco. São milhares de peças de mobiliário, cerâmica, têxteis, livros, fotografia e de numismática.

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A colecção de fotografia, uma das mais significativas, não tem qualquer processo de classificação em curso. Exposição «Aparição - A Fotografia de Gerard Castello Lopes 1956-2006», no espaço BES Arte & Finanças, em Lisboa, inaugurada a 23 de Setembro de 2011
A colecção de fotografia, uma das mais significativas, não tem qualquer processo de classificação em curso. Exposição «Aparição - A Fotografia de Gerard Castello Lopes 1956-2006», no espaço BES Arte & Finanças, em Lisboa, inaugurada a 23 de Setembro de 2011CréditosMário Cruz / Agência LUSA

A venda do Novo Banco ao fundo abutre Lone Star pode implicar a saída da esfera pública do espólio de arte do antigo BES, integrado no banco criado após a falência e resolução da instituição.

Ao todo, incluem-se três colecções específicas – uma de numismática, com mais de 13 mil exemplares, de origem nacional e estrangeira; a «Biblioteca de Estudos Humanísticos – Pina Martins», com 62 livros da oficina veneziana do editor Aldo Manutio; e a colecção de fotografia, com obras de 280 artistas de 38 nacionalidades, como Cindy Sherman, Gilbert & George, Helena Almeida, Jorge Molder ou Gérard Castello-Lopes.

A estas colecções somam-se várias peças de mobiliário, cerâmica, têxteis e pinturas de Josefa de Óbidos, do Morgado de Setúbal, de Eduardo Viana, de Vieira da Silva ou de Quentin Metsys.

A questão foi levantada pelo PCP, num projecto de resolução divulgado hoje. No texto criticam o que consideram «uma má solução que pode trazer prejuízos directos para o Estado superiores a 3 mil milhões de euros». Os comunistas classificam de «inaceitável» a «perda e impossibilidade de acesso, fruição, investigação e estudo do espólio de Arte do Banco Espírito Santo».

O projecto recomenda ao Governo que inicie o processo de classificação e invetariação do espólio cultural, assim como a manutenção na esfera pública, de forma a garantir o «acesso público» e a «fruição cultural» dos bens detidos, actualmente, pelo Novo Banco.

Em resposta ao Expresso, na última sexta-feira, o Ministério das Finanças revelou que o espólio de arte do BES deve manter-se no Novo Banco, transitando assim para a posse da Lone Star assim que o negócio de venda esteja concluído.

O Executivo afirmou que já está em curso o processo de classificação de duas das colecções (de numismática e a Biblioteca Pina Martins). A colecção de fotografia, considerada uma das melhores da Europa, ficou de fora já que muitas das peças são de autores vivos e têm menos de dez anos de permanência em território nacional.

Quanto às restantes peças, o ministro da Cultura apenas disse que poderão «merecer classificação», destacando uma das obras de Josefa de Óbidos.

O primeiro-ministro confirmou, no final de Março, a opção pela venda do Novo Banco, seguindo a recomendação do Banco de Portugal. O processo deverá estar concluído até Agosto, o prazo imposto pela Comissão Europeia para encerrar o dossiê, iniciado em 2014, com a resolução do BES decidida pelo anterior governo.

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